Quadratura do Círculo
Como se sabe, a possível saída do Reino Unido da União Europeia tem sido um assunto com grande cobertura mediática, pelo que lhe vamos dedicar esta breve reflexão, para partilhar com os leitores algumas das preocupações que aquele assunto (BREXIT) merece.
Sabia-se, desde há muito, que a Grã-Bretanha (daí o nome de BREXIT = BRETAIN + EXIT) nunca viu com grande entusiasmo, a livre circulação de pessoas dentro do espaço da União, pela dificuldade que existe no controlo de entrada e saída de pessoas menos desejadas. E é verdade que o Reino Unido é um espaço da União, muito apetecido, dadas as oportunidades de trabalho que ali se encontram, devido ao seu desenvolvimento económico. Porém, esta livre circulação de pessoas (para além das outras liberdades de circulação de serviços, bens e capitais), é aquela que mais incomoda, pelas dificuldades de controlo das fronteiras, em particular desde que as crises de refugiados, que aumentou o apetite de centenas de milhares de pessoas pelo chamado espaço Schengen (que inclui toda a União Europeia).
O «Brexit» permitiria repor e controlar as fronteiras, impedindo a entrada indiscriminada de cidadãos e de mercadorias indesejáveis. Só que o Reino Unido tem um problema acrescido, com as suas fronteiras, com a ilha da Irlanda, onde coexistem dois países (chamemos-lhe assim) a República da Irlanda, que é independente do restante Reino Unido, e a Irlanda do Norte que faz parte integrante deste e onde vivem duas comunidades (uma católica e outra protestante, que tem ideias diferentes quanto à sua presença dentro do Reino Unido: a comunidade católica anseia unir-se à República da Irlanda (católica também) enquanto a comunidade protestante pretende continuar leal a sua Majestade do Reino de Inglaterra.
Todos ainda lembramos os sangrentos conflitos que duraram dezenas de anos, e que só acabaram em 1998 com o Acordo de Sexta-feira Santa.
Com a saída do Reino Unido da Comunidade Europeia, teriam, que ser repostas as fronteiras físicas de cerca de 500 kms, que separam a República da Irlanda que é independente, da Irlanda do Norte que faz parte das ilhas Britânicas, impedindo a livre circulação de pessoas e sobretudo de bens e capitais. Ou seja, se o «Brexit» for avante, ninguém tem dúvidas que a guerra entre aquelas duas comunidades ressurgirá, porque está ainda muito viva a lembrança dos tempos passados.
Concluindo: o Parlamento Inglês pretenderia controlar a sua fronteira à entrada de pessoas, bens, etc..., do resto da União Europeia, mas deixando de fora um país independente que se chama República da Irlanda, ou seja, estar com um pé dentro e outro fora, o que seria a verdadeira quadratura do círculo, que os Irlandeses nunca permitirão.
Todos os restantes países que vivem na União Europeia percebem, que a solução seria fazerem um novo referendo, que daria por certo um resultado diferente. Mas, muitas vezes as ambições individuais ditadas por razões de natureza política obstam a que se faça o óbvio.
Por nós, se é isso que querem, deixem a resto da União Europeia em paz, sigam o vosso caminho, mas sem o mínimo de concessões para a liberdade de circulação no mercado económico europeu, que é tão apetecido. Tenham os ingleses, boa sorte.
E nós tenhamos um BOM NATAL, votos que desejamos a todos os nossos leitores.

