Rota da Seda
Quando o Presidente Chinês Xi Jinping chegou a Lisboa, logo na primeira declaração que fez não se esqueceu de recordar que há uma terrinha (Freixo de Espada a Cinta) em Portugal onde ainda se produz o bicho de seda, uma manufatura manual trazida da China para o nosso país no seculo XVI, a partir de Macau.
Macau foi um território que Portugal administrou com o acordo implícito da China, durante mais de quatro séculos, e que serviu sempre como uma porta de entrada no Imperio do Meio, quer por Europeus, quer pela generalidade dos países ocidentais.
Que significado tirar da breve referência que aquele estadista fez às históricas relações (diplomáticas) do seu país com o nosso? A nosso ver, para além de um gesto de simpatia, tratou-se de um aviso para todos aqueles que antecipadamente estranharam a visita do líder de um gigante a um pequeno país situado no canto mais ocidental da Europa. Apesar de tudo um país, onde já trabalham muitos milhares de Chineses, onde em cada esquina se encontra um bazar de artigos orientais, e onde a própria religião (o budismo), já começa a ter alguma expressão.
Bem andou portanto a nossa diplomacia em acolher tão calorosamente este ilustre visitante, que naturalmente decidiu fazer esta breve viagem a Portugal, não pelo que nós representamos neste momento, designadamente em termo económicos e financeiros, tal a desproporção dos números, mas como porta de entrada do Gigante Chinês, na União Europeia.
Mal se percebe que uma das forças políticas que apoia este Governo – o BE, se tenha demarcado, por razões ideológicas, desta visita de Estado, quando, tanto quanto nós possamos compreender, quem mais lucrará em termos de captação de recursos económicos e financeiros, ou seja, em termos de desenvolvimento do país, vamos ser nós, como é já evidente, nos múltiplos empreendimentos sinalizados com capital chinês.
É bom lembrar a quem receia pela presença do investimento chinês no nosso território, que a China é um exemplo para o mundo em termo de desenvolvimento. Um artigo do New York Times de 18 de novembro, lembrava que a China é hoje líder mundial em termos de número de proprietários com casa própria, em termos de utilizadores de internet, em número de estudantes que terminam o liceu, e segundo as contas de alguns, em número de multimilionários. Ainda no início da década de 1980 tinha três quartos da sua população a viver em pobreza extrema. Com esta classe reduzida agora a 1 %, a China torna-se numa potência mundial e no rival mais sério dos Estados Unidos desde a queda da União Soviética.
Diz-se que a China tem interesse em desenvolver o Porto de Sines e a construção de uma linha de Caminho-de-ferro em direção a Madrid, para daí atingir a Europa, fazendo parte da nova Rota da Seda, que estará na sua estratégia implementar. Que mal pode haver nisso? Quem é que vai beneficiar mais diretamente com este gigantesco projeto? Evidentemente, o nosso país, em particular todo o Alentejo. Para além de que novos terminais serão necessários. Outros portos portugueses beneficiarão e seguir o comércio é seguir a riqueza.
Se o Presidente XI, apostou no nosso país, bem-vindo seja. Portugal não tem de curar de saber, que sistema político vigora na China. Isso é, evidentemente, com os chineses.

