Uma Verdadeira Toutada
Uma breve afirmação da Ministra da Cultura no Parlamento, a propósito do abaixamento do IVA no preço dos ingressos para os espetáculos tauromáquicos, originou uma inesperada celeuma, que conduziu a trazer de repente para a ordem pública uma questão, que em boa verdade nunca o foi, a não ser para o PAN – o Partido dos Animais.
Não vamos perder tempo com o sim ou não às Touradas, porque conforme se ouviu é um assunto pacífico, para a maior parte dos portugueses. Nas regiões em que o touro tem uma presença diária no quotidiano das sociedades locais, a tauromaquia, sempre foi vista como uma manifestação cultural, um jogo entre o homem e o animal, de qual ressalta aparentemente, a superioridade do primeiro sobre o segundo. Questão civilizacional como se lhe referiu a ministra, qualificação que nós acompanhamos, tendo como certo que, desde que o homem é homem, este sempre considerou que os outros seres vivos de espécie animal - que impropriamente designamos por irracionais, estavam ao seu serviço – para a alimentação, para auxiliar nos trabalhos domésticos, para simples companhia, como todos nós percebemos. É de facto uma questão civilizacional.
Bem andou o Dr. António Costa, que desvalorizou a polémica da questão fiscal, dando até liberdade de voto ao Grupo Parlamentar do Partido Socialista, quando vier a ter lugar a votação da alteração orçamental a este respeito. É que, o que para o governante importa é que se não mexa nos valores finais da taxa do IVA, porque qualquer cedência nesta matéria pode levar ao desvirtuamento do documento que Mário Centeno apresentou, e de cujo equilíbrio tanto se ufana, quer a nível caseiro, quer no fórum europeu onde é responsável pelo equilíbrio das Finanças e do rigor orçamental de todos os países membros.
António Costa, se bem se recordam, até teve de dar uma pirueta, ao declarar que até nem gostava de espetáculos tauromáquicos, embora alguém lhe tenha recordado quando presidia a Câmara da capital havia condecorado um artista tauromáquico, por esta atividade desportiva cultural ser também um emblema do concelho lisboeta. Não é por acaso que a Praça de Touros do Campo Pequeno, é um ex-libris da cidade.
Do que se tem tratado, porém, é de defender com unhas e dentes o orçamento, uma vez que as propostas de alteração que as várias bancadas parlamentares apresentaram, levariam a um verdadeiro descalabro, nas rubricas das receitas, conforme tem sido sublinhado por aqueles responsáveis. E não tem ocorrido aos parlamentares, debruçarem-se sobre a rúbrica das despesas, designadamente com a máquina da Função Pública, que continua galopante a subir, conforme já foi até chamado à atenção pela própria União Europeia.
Não há assim, impostos que cheguem, para saciar a sede que, quer comunistas quer bloquistas, continuam a manifestar, inventando a cada dia que passa, novas taxas. O Estado, que tão endeusado é por esta extrema esquerda, comporta-se de facto como um predador do cidadão, que não consegue fugir ao IVA, ao IRS e a tantas taxas, que pelos seus valores exagerados, verdadeiramente nos sufocam.

