Planos de Regadio
Os nossos habituais leitores questionar-se-ão provavelmente, sobre a temática de regadio agrícola que hoje queremos compartilhar, uma vez que nesta altura, quem pensa em água ou em chuva, é para livrá-la das costas e não para o seu aproveitamento. Há porém uma razão substancial para abordar este assunto, uma vez que o Dr. Capoulas Santos, (crónico) Ministro da Agricultura nos Governos do Partido Socialista, em entrevista dada a este Jornal em que escrevemos, se refere ao tema, como uma das apostas deste Executivo, o que em si mesmo é uma nota muito positiva, se a intenção é mesma para avançar.
De resto, recordamos até que, o último Programa Nacional de Regadio para a nossa região, remonta a 1982, aquando do PDRITM – Programa de Desenvolvimento Rural Integrado para Trás-os-Montes e Alto Douro, do Professor Valente de Oliveira, que distribuiu verbas substanciais para refazer os regadios das levadas e açudes tradicionais.
Capoulas Santos diz agora que o Programa Nacional de Regadios é uma medida política que visa a promoção do armazenamento e do uso eficiente dos recursos hídricos, por forma a contribuir para a fixação da população, a criação de emprego, o autoaprovisionamento do país e a consequente redução de importações.
Convidado a explicitar que fatia dos 560 milhões de euros previstos até ao ano de 2023, se destinam a Trás-os-Montes, esclareceu que teremos uma fatia de 43 milhões, de que destacou três projetos emblemáticos: os aproveitamentos hidroagrícolas de Vilar Chão e Parada, de Freixiel e de Vale Madeira, todos no distrito de Bragança, mais concretamente nos Concelhos de Alfândega da Fé, Mirandela e Vila Flor, que permitirão criar mais de mil hectares de regadio.
Permitimo-nos lembrar a este Governante, que no Plano Agroindustrial do Cachão, do sempre recordado Eng. Camilo de Mendonça, ficaram construídas várias barragens, sobretudo na bacia do Tua, que nunca tiveram aproveitamento, porque as convulsões políticas que se seguiram a Abril de 74, fizeram abortar o grande sonho do Nordeste, com as consequências que se conhecem.
Seria altura de aproveitar aquelas infraestruturas, porque apesar da passagem do tempo elas, na sua maior parte, ainda se conservam em bom estado.
Como muitos recordarão, aquele projeto agroindustrial tinha uma componente de extensão rural e de emparcelamento, que urge concluir. Muito se tem falado agora no cadastro de propriedade rural, permitindo-nos relembrar então, que era altura de fazer a legislação que facilite o emparcelamento, por formar a criar propriedades agrícolas de dimensão adequada, que permita um sentido de sustentabilidade.
Não estamos a imaginar que os jovens que saem das nossas Universidades, preparados para a atividade agrícola, pecuária e/ou florestal, tenham apetência para se tornar pequenos empresários, se não encontrarem propriedades de média dimensão, com rentabilidade assegurada.
Deixamos ainda mais sugestões ao Dr. Capoulas Santos: o regadio em todo o Vale do Tua e do Sabor, onde há enormes manchas já agricultadas, sobretudo com culturas de azeite, de amêndoa e de castanha, cuja rentabilidade pode duplicar desde que se disponibilize água para o regadio.
As sugestões que aqui deixamos, já estão estudadas há mais de cinquenta anos. O que tem faltado é vontade de olhar para o interior, como fonte de riqueza e não apenas como dormitório de idosos.
Será que chegou a hora do interior? Oxalá.

