Credibilidade Política
Não há razões objetivas para justificar este comportamento do eleitorado, que crescentemente se alheia de participar nos atos eleitorais, virando costas, pura e simplesmente, para o seu dever cívico de participar. Não é um comportamento exclusivo do nosso país, nem da Europa, como se sabe.
Este alheamento começa a fomentar o aparecimento de movimentos não-alinhados, absolutamente desenquadrados dos sistemas democráticos, que, por definição se baseiam em forças partidárias – os partidos políticos, que tem programas, regras de atuação e disciplina interna.
Estamos a referirmo-nos a estes movimentos populistas, quer de esquerda, quer de direita que ameaçam democracias como as de França, da Alemanha, da Itália (onde movimentos surgidos de um momento para o outro, já governam uma nação tradicionalmente alinhada), para já não falar na Áustria, na Hungria ou na Polónia, países ameaçados permanentemente pela instabilidade governativa.
Felizmente que o nosso país ainda não conhece movimentos extremos destes, mas preocupa que a abstenção seja desde há uns anos a esta parte, o "partido" mais votado. E a justificação que os politólogos dão para este comportamento dos nossos eleitores, é o da descredibilização dos partidos políticos e do sistema político no seu todo. Alguns exemplos, são dados com frequência.
Esta questão da contagem de tempo de serviço dos professores, que o sindicalista Mário Nogueira conduz com tanta eficiência, revela bem, como os partidos políticos se descredibilizam.
Há um ano, aquando da aprovação do Orçamento do Estado para o ano de 2018, o Governo, ou melhor, o Partido Socialista, apoiado na Geringonça, prometeu que os Professores iriam ver as suas carreiras retomadas, com a contagem de 9 anos, 4 meses e 3 dias. Evidentemente, com o pagamento dos retroativos correspondentes. Uma promessa inviável para o OE, e para as Finanças Públicas.
Para além disso, a abertura desta janela, levaria o que todos os funcionários públicos, com carreira interrompida por imposição de Troica (sempre a maldita Troica) – juízes, médicos, Forças de Segurança e militares..., iriam exigir o mesmo.
Sabe-se o que tem acontecido. O Governo não cede, porque não há capacidade financeira, mas também não assume o logro em que induziu aquela classe – retirando daí as consequências óbvias.
Outro exemplo de todos conhecidos: quando há dois ou três anos, o preço do petróleo no mercado internacional atingiu valores exageradamente baixos e porque o ISP (Imposto sobre os Produtos Petrolíferos) está indexado ao preço, o atual Governo criou uma sobretaxa com a promessa! de que quando o mercado internacional corrigisse a sua trajetória, essa sobretaxa seria retirada.
Pois bem, os combustíveis subiram quase para o dobro, mas a sobretaxa – mantem-se. Isto é sério? Depois, há estas discussões dentro da Geringonça a propósito da proposta do Orçamento de Estado para 2019, em que parece haver uma Feira de Vaidades: o BE ufano porque conseguiu esta medida, o PCP, reivindicando os seus créditos em tudo o que sejam reversões disto e mais aquilo.
E por último, esta contagem de tempo para as Reformas antecipadas, é de deixar os possíveis interessados, com os cabelos em pé.
E a pergunta que se impõe, é esta: então isto é sério? Que garantias tem hoje um cidadão, do que lhe vai suceder amanhã, seja em termos de reforma, de impostos, de direitos, de deveres?
Credibilidade política exige-se, seja para os partidos que suportam o governo, seja para aqueles que almejam o poder. Porque só assim, os eleitores terão apelo para participar na vida política do país.

