Prémio D. Dinis
Vila Real, a filha do Rei Troveiro, na feliz designação de Monsenhor Minhava no Hino da Cidade, orgulha-se desde tempos imemoriais do foral que lhe foi atribuído por D. Diniz no século XIII. Foi um Foral bem-sucedido, que veio a dar origem ao desenvolvimento de um grande povoado, situado no promontório formando na confluência dos rios Corgo e Cabril e que é a génese desta cidade, hoje capital de Trás-os-Montes e Alto Douro.
D. Diniz, o Rei Lavrador, é por isso justamente celebrado e recordado por variadíssimas razões. A Fundação da Casa de Mateus, cuja apetência para a divulgação das artes e da cultura é bem conhecida, decidiu criar há 38 anos o Prémio D. Diniz, destinado a galardoar anualmente, uma obra literária que no panorama da literatura, em Portugal, tenha dimensão universal na divulgação dos valores da cultura lusíada.
O júri do Prémio D. Diniz distinguiu, este ano, a obra do insigne novelista Hélder Macedo pela obra: "Camões e outros contemporâneos", justamente no ano em que a Fundação da Casa de Mateus comemora os 200 anos da Edição Monumental dos Lusíadas, um trabalho ímpar, levado a cabo em Paris, por D. José Maria de Sousa Botelho Mourão, 5º avô do Engº. Fernando Albuquerque, atual presidente da Fundação da Casa de Mateus. As cerimónias da atribuição do Prémio tiveram lugar no Palácio no passado dia 6 de outubro, tendo a outorga do Prémio cabido ao Professor Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República, que aproveitou a circunstância para impor ao premiado a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique "por tudo que tem feito por Portugal, projetando a nossa literatura para o mundo", uma distinção, quanto a nós, justíssima.
Nas breves palavras que o anfitrião da Casa de Mateus proferiu, na ocasião, destacamos o trabalho que esta Fundação efetuou em 2018 e que passou despercebido à generalidade das pessoas.
Neste ano foram retomados os Encontros Internacionais de Música Antiga e Barroca, celebrando o barroco latino e anglo-saxónico. Em coprodução com os amigos da Ópera da Coruña, foi produzido um concerto encenado. O programa envolveu ainda: Renascimento da Orquestra Barroca de Mateus; Seminário sobre Arquitetura e Música, (homenageando o arquiteto Nasoni); Foram retomados os Seminários da Federação Coletiva de Poesia; Início do Programa Eco-Mateus (em parceria com a UTAD); Ciclo de Conversas com Arte, Ciência e Cultura (coorganização com a UTAD); Repensar Ibéria (iniciativa conjunta com o Conselho de Cultura Galega) etc... Exemplos do trabalho a que a Fundação da Casa de Mateus se entrega pelo menos desde 1977, com a finalidade de sublinhar a natureza intrinsecamente europeia da nossa cultura, que é fruto dos cruzamentos intemporais de todos os povos.
D. Diniz, o Rei Poeta, não pode deixar de sentir orgulho, pelo Foral que nos concedeu.

