A Linha do Douro | Um Futuro que Tarda
Só até ao Pinhão. Porquê?
A Associação Vale do Douro e a Câmara do Peso da Régua organizaram no passado dia 15 na Régua um encontro, subordinado ao tema: A linha do Douro, um futuro que tarda, em que foram dados a conhecer os cenários que se colocam na reabilitação deste eixo ferroviário, tema a que temos dedicado grande atenção, por percebermos que este enlace ferroviário, entre Porto/Salamanca e Madrid, é vital para o desenvolvimento de todo o Vale do Douro, em particular do Alto Douro Vinhateiro que mais concretamente nos respeita.
Neste encontro ficaram a conhecer-se alguns pormenores de grande relevância, no que respeita ao futuro desta via de circulação. Ficou clara a visão das forças políticas ali presentes, com assento nos respetivos Grupos Parlamentares e dos responsáveis dos Municípios ribeirinhos, representados pela Comunidade Intermunicipal do Douro (CIM Douro). Todos concordantes em que a reabilitação da linha é para fazer de imediato, com a pequena nuance de que para uns é só até ao Pinhão, e para outros, como nós próprios, é todo o percurso, desde o Porto até Salamanca, porque se trata de um Projeto Transfronteiriço.
Mas foi bom saber, que, a partir de agora, nem este governo, nem qualquer outro que se lhe siga, vão poder fugir a este tema, uma vez que no Programa Nacional de Investimento 20-30, este Projeto Transfronteiriço, vai ter um lugar assegurado.
O único problema da Linha do Douro é estar em Portugal. Esta afirmação foi feita durante o debate sobre Transporte na Comissão de Economia, Inovação e Obras Públicas do Parlamento Português, onde se debateu o enlace ferroviário desde o Porto com Salamanca e Madrid. Nesta ocasião interveio um reconhecido pretito em transportes ferroviário o Professor Manuel Tão, da Universidade do Algarve, que demonstrou que a Linha do Douro é não apenas a melhor alternativa para unir o litoral norte português com Salamanca e Madrid, mas também como uma ferramenta geradora de valor social, económico e cultural, impulsionador da territorialidade e do paradigma europeu.
Acrescentou ainda: A Linha do Douro é um fracasso da União Europeia. Ao vale do Douro não chegou ainda a União Europeia, explicitando as virtualidades desta linha para unir o Porto com Salamanca quatro patrimónios mundiais da humanidade unidos em três horas de comboio panorâmico. Um comboio que circularia cheio de turistas, viajantes de negócios e residentes locais. Um comboio que, em si mesmo, seria um produto turístico e um instrumento de marketing territorial.
De resto, é inegável a repercussão direta desta via-férrea na sustentabilidade e diversificação da economia neste território, tornando compatível o turismo com a agricultura e a proteção do meio ambiente, é tão evidente que qualquer outro país da EU, não duvidaria da sua viabilidade, unicamente estaria a perguntar quais as melhorias a realizar para reabri-la como linha internacional.
Não havendo, pois, nenhum entrave de natureza técnica e de viabilidade económica, de que é que se está à espera?
Que as diversas entidades, políticas, económicas e sociais da região se conjuguem para não deixar fugir esta oportunidade de apoio de Fundos Comunitários, no próximo quadro 20/30.
Só há que aproveitar esta oportunidade. Não é pedir muito, à sociedade civil.

