Proprietários
Estudantes universitários sentem grandes dificuldades para arranjarem alojamento (quartos), designadamente em Lisboa e Porto, (relata a comunicação social), até porque o valor médio da Bolsa para alojamento (para quem tem direito a ela) é de apenas 118 €, quando um quarto na capital ronda os 600 € e no Porto cerca de metade.
As residências universitárias não comportam toda a população estudantil deslocada, não sendo de esperar que, de um momento para o outro, se inventem novas residências, até porque não é fácil nem barato canalizar dinheiros públicos para este fim e porque o Orçamento do Estado vai ser exíguo para tantas solicitações que os parceiros da Geringonça de lá querem extrair.
Apontam-se muitas razões para o aumento do valor dos quartos, sendo as mais evidentes, à primeira vista, o boom turístico que encontrou no alojamento local uma forma mais económica para visitar o nosso país.
Estamos em crer, que as dificuldades de encontrar um quarto acessível não se coloca em cidades como Vila Real, Bragança ou Viseu – cidades do interior do país a necessitarem cada vez mais de novos residentes. É por isso, que faz cada vez mais sentido, que se aumentem os números clausus das Universidades e Politécnicos situados nos dois terços do país despovoado.
As Universidades de Lisboa e Porto fizeram finca-pé, e não desistem de atrair cada vez mais estudantes, ou mesmo de eliminar certos cursos, com pouca razão para ali serem ministrados – agricultura, pecuária, silvicultura e até muitos cursos mais técnicos. Oxalá estas dificuldades agora expostas façam abrir os olhos a quem pode decidir nesta matéria, em última análise, o Ministério de Ensino Superior.
Esquizofrenia Fiscal
O Bloco de Esquerda, depois do Caso Robles, quer fazer uma mea culpa e vai daí, lembrou-se de que o negócio do imobiliário – leia-se: compra e venda de prédios, dá tanto lucro aos seus intervenientes que o melhor é o fisco colocar-se em campo e criar mais uma Taxa, a incidir sobre as transações. O aumento exponencial do preço do imobiliário é a consequência direta do sucesso na aposta em sectores que estavam francamente abaixo do seu potencial, escreve João Vieira Pereira, um colunista do Expresso (15 SET). Achar que se reverte este crescimento com mais impostos e que isso não terá consequências nefastas é apenas estúpido. Atraímos investidores porque precisámos e ainda continuamos a precisar do seu dinheiro. E agora que eles vieram a única solução é mudar as regras porque alguém está cheio de inveja de dinheiro que está a ser ganho (BE e seus acólitos). São ideias mirabolantes de políticos que acham que tudo se resolve com o poder de aumentar impostos.
É evidente que por detrás destas ideias está sempre subjacente o objetivo de ataque à propriedade privada, que é, como se sabe, um dos fundamentos das democracias liberais e mesmo social-democratas. Porque deixar tudo na mão do Estado, ficou provado ao longo de séculos, que a prazo, só contribui para a miséria.
Se são parceiros destes (BE, PCP...) que o nosso Primeiro-ministro quer trazer pela mão, não lhe auguramos grande futuro. Os proprietários de imóveis rústicos ou urbanos são as molas reais para alavancar a economia. Não são os maus da fita.

