Freixiel: O Exemplo
Freixiel é o nome de uma pequena aldeia do Concelho de Vila Flor, Distrito de Bragança situada nas encostas do Vale do Tua. É notícia porquê?
Tínhamos um plano para arrancar com a construção de uma barragem em 1978 – Há 40 anos, veja-se. Contudo a sua localização não era a mais favorável para a freguesia. Ainda pedimos alteração ao plano mas nunca obtivemos uma resposta das entidades competentes, para uma revisão ao projeto inicial recorda João Gouveia – antigo Presidente da Junta de Freguesia.
Fernando Brás, Presidente da Associação de Regantes do Vale da Vilariça esclarece também, aquilo que parece óbvio: As infraestruturas que mais contribuem para a fixação de pessoas no meio rural é a construção de barragens e regadios para potenciar aquilo que temos de melhor que é a agricultura.
Por seu lado, o Engenheiro Fernando Barros, Presidente da Câmara de Vila Flor diz que este é um velho anseio da população de Freixiel e Vieiro, com mais de meio século. E acrescenta como foi possível desenvolver agora este projeto de regadio, aproveitando o facto de saber que havia um concurso para este tipo de empreendimento. Foi uma luta muito difícil. Foi um concurso muito disputado. Há uma coisa que é verdade, é que conseguimos para a freguesia um projeto real, com impacto regional.
Explicitando: A barragem e todo o sistema de regadio vão custar cerca de 10,17 milhões de euros e vai beneficiar uma área de 600 hectares de terrenos agrícolas. A albufeira terá uma capacidade de 1,7 milhões de metros cúbicos de água, após a construção de um paredão com 24 metros de altura.
Onde é que está a novidade aqui? É que se trata de um projeto da exclusiva responsabilidade da autarquia local, que decidiu pegar numa ideia que já vinha dos tempos do Eng. Camilo de Mendonça ─ o responsável do Complexo Agroindustrial (Cachão) para todo o Nordeste, e coloca-la em marcha, aproveitando, supostamente, fundos comunitários. Ou seja, em vez de se direcionar para construir eventualmente, mais um complexo desportivo, ou infraestruturas similar, apostou no desenvolvimento da agricultura, que tem que ser, ninguém tenha dúvidas disso, o motor do desencravamento destas regiões, eufemisticamente apelidadas hoje, de regiões de baixa densidade.
Cá ficamos a aguardar, que outros municípios sigam este exemplo de Vila Flor, seja apostando no regadio, aproveitando o Programa Nacional de Regadios, onde se insere este projeto, que prevê absorver até 2022 um investimento global de 534 milhões de euros, traduzindo-se em mais 95 mil hectares de regadio e a criação de mais de dez mil novos postos de trabalho permanentes, conforme explicita o Jornal Mensageiro de Bragança (que citámos). Ou apostando em projetos de Ordenamento Florestal, que na nossa opinião, as Comunidades Intermunicipais (CIMs) designadamente as de Trás-os-Montes e Alto Douro, têm toda as capacidades para empreender, aproveitando desde logo as imensas áreas de baldio, que estão em completo abandono e disponíveis para serem plantadas.
Sirva este exemplo de Freixiel, como despertador de consciências, para se começar a inverter esta tendência de desertificação humana que nos fustiga há mais de 50 anos.

