Argumentos Anti-Petróleo
A Noruega é um exemplo clássico do que pode suceder a um país pobre em recursos naturais, se entretanto tiver a sorte da descoberta de jazidas petrolíferas no seu subsolo. A Noruega era, nos anos 50 e 60 do século passado, um dos países europeus mais pobres e mais atrasados da Península Escandinava, em contraste com os seus vizinhos suecos e dinamarquesas. Bastou porém, a descoberta de Petróleo no Mar do Norte, em água territoriais que lhe pertencem, para a Noruega passar a ser, em menos de vinte anos, um dos países mais desenvolvidos, com um PIB per capita que faz inveja a todos os países anglo-saxónicos e até germânicos, dando-se ao luxo, repare-se, de recusar fazer parte da União Europeia, de quem pouco ou nada teria a esperar, no que respeita a bem-estar para os seus habitantes.
Em Portugal, sonha-se há muito com a possibilidade, agora real, de com as novas tecnologias de perfuração e extração ser possível a exploração comercial das jazidas descobertas na plataforma marítima adjacente ao Algarve e Costa Vicentina. Sabe-se que no dia em que este sonho se torne realidade, o nosso país, que é tremendamente deficitário em recursos energéticos, diminuirá a sua dependência externa e é fácil admitir que em duas décadas, como aconteceu na Noruega, o país deixe de estar na cauda da Europa, para passar a integrar o pelotão de países com estatuto semelhante ao dos Países Baixos, os Escandinavos e porque não o próprio Reino Unido. Queira Deus que isso suceda depressa.
Entretanto o Movimento e a Plataforma Algarve Livre de Petróleo, que reúne umas centenas de pessoas, vêm, sempre que podem, a denunciar os perigos da exploração destas jazidas petrolíferas, com argumentos conhecidos, que os ambientalistas apregoam desde há muito. Sempre nos pareceu porém tratar-se de movimentos espontâneos, sem qualquer expressão na nossa sociedade democrática. Por isso é que nos surpreendeu, e confessamos, nos entristeceu, ver pela comunicação social de 12 de Agosto que o Professor Marcelo, em visita ao Algarve por causa do incêndio de Monchique, ter aceitado receber dois destes "grupos" anti petróleo, e declarou no final, respondendo à comunicação social que o interpelava, "vou agora analisar esses argumentos com atenção, escusando-me a avançar já com um posicionamento sobre a prospeção do petróleo ao largo de Aljezur" (SIC).
Será que lemos bem? Será que o Sr. Presidente da República, com a legitimidade que lhe foi dada por votação tão expressiva, tem dúvidas sobre os benefícios que advirão para o país, no seu todo, e não apenas no Algarve caso a exploração do petróleo venha a ser viável economicamente? Que prejuízos para o Turismo do Algarve, se a exploração será feita a mais de 50 quilómetros da plataforma continental? E que direitos tem os algarvios sobre essas jazidas se vierem a existir? A quem é que pertence o subsolo?
Não Professor Marcelo. A sua voz tem hoje tanta força em termos de opinião pública, que não pode deixar margem para dúvidas, perante o país.
Porque o nosso futuro e o dos nossos filhos, dependem em muito do que venha a acontecer com estas pesquisas como sucedeu-se na Noruega.

