Aprender com o Erro
O ar sorridente que vimos no Dr.º António Costa quando esta sexta-feira visitou o Concelho de Monchique à frente da numerosa comitiva causou-nos alguma indignação. Que nos perdoem os apoiantes do seu governo, mas, perante mais um episódio trágico que ocorreu no sul do país, durante dias sucessivos em que as chamas fizeram o que bem lhes apeteceu, porque ninguém as controlou, levando o pânico – sim, pânico, medo, a muitos milhares de cidadãos indefesos que ali habitavam, impõe-se esta pergunta simples: Há razões para sorrir?
Também sabemos que chorar, nestas circunstâncias, de nada vale. Já tínhamos ouvido no dia anterior, em conferência de imprensa, tiradas bombásticas do género, "das mais de quinhentas ignições dos últimos dias, apenas aqui se verificou a incapacidade de controlar o fogo". Isto é motivo de alívio para um governante, que foi surpreendido no ano anterior, pelas catástrofes de Pedrogão de Junho e meses depois pela devastação do interior centro, que ceifaram a vida a mais de uma centena de cidadãos! Da primeira vez, embora não se aceite, pode entender-se, porque todos foram surpreendidos. Porém, um ano volvido, a cena repete-se, felizmente sem a perda de vidas humanas, porque o fenómeno natural não foi da mesma violência, mas com danos de território em tudo semelhantes.
Calculamos todos, a angústia vivida pelos milhares de pessoas ali residentes que perceberam que o Estado, não disponha de meios para suster a fúria das chamas. Angústia que centenas de milhares de cidadãos, que vivem nestes meios rurais, terão sentido também, ao perceberem que se nas suas terras, um fenómeno destes se verificasse, não teriam ninguém para os ajudar.
Porque, simplesmente, o Estado foi mais uma vez incapaz, como referiu a comunicação social que deu cobertura permanente ao fogo. Quando Monchique se incendiou era um corrupio de gente, bombeiros, voluntários e profissionais, GIPS, guardas, militares, médicos. Gente não vai faltar. Era um berreiro, um desatino, ouvia-se.
Sejamos claros e objetivos com duas ou três questões apenas:
Sobre as ignições. São espontâneas? Pode acontecer mas é raríssimo. Descuido de alguém? Acontece, mas é controlável. E as outras, as criminosas? Fechamos os olhos? A Polícia judiciaria que investigue. Com que meios, com que resultados?
A prevenção: Houve uma campanha de facto, no sentido de se fazer a limpeza das bermas, dos caminhos, das matas contiguas às populações. Com que resultados?
Medidas de ataque aos fogos:
Sapadores florestais? Onde, como, com que meios?
Bombeiros? Têm meios para atacar fogos florestais? A meu ver, não; nem estão vocacionados para atuar em meio florestal onde se espera outro tipo de formação e preparação - Sapadores Florestais.
Poderíamos multiplicar, exemplificativamente, as questões pertinentes a que o Estado não deu resposta.
Poderia ter respondido já a tudo? Não. Mas, teria sido importante que se começassem a delinear as políticas de prevenção para todo o território nacional. Há conhecimento nas nossas Universidades. Referimos a nossa UTAD – Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, onde há conhecimento bastante, para implementar as políticas de fomento florestal e prevenção de defesa das florestas. Levam tempo a colocar no terreno e exigem, eventualmente, meios financeiros que não cabem num orçamento de Estado anual.
Mas, é preciso começar. É preciso aprender com os erros. É necessário agir.

