Bragança | O Salto em Frente
No recente «Encontro Fora de Caixa», um dos responsáveis vindo de Lisboa, fez a seguinte afirmação: O que Bragança está a fazer é transformar-se numa pérola.
Vivendo nós aqui tão perto, e acompanhando desde há dezenas de anos as vicissitudes do que é viver naquela região, com tantos ou mais dificuldades do que aquelas que nós próprios sofremos aqui em Vila Real, esta declaração, despertou-nos para uma dimensão diferente, no sentido de quem vive neste interior possa e deva transformar em oportunidades aquilo que até agora, temos considerado como debilidades.
No que respeita a distâncias, por exemplo. Uma canção dos Xutos e Pontapés glosava: de Bragança a Lisboa são nove horas de distância. Ora bem, embora a distância seja a mesma, nesta altura, mesmo sem acelerar demasiado talvez se consiga uma redução para metade. Mas, o que mais sugestiona quem decidiu investir por lá, é que a distância a Madrid é a mais curta, de todas as cidades do nosso país – menos de 350 quilómetros e com uma estação do TGV que liga a Corunha a Madrid, a menos de 30 quilómetros do centro daquela cidade. Uma oportunidade que os empresários que se vão instalando começam a agarrar, por perceberem que o mercado ibérico está ali tão perto e com uma dimensão incomensuravelmente maior do que o nosso mercado nacional.
No que respeita ao Ensino Superior. Isabel Ferreira, diretora do Centro de Investigação de Montanha (IPB), revelou no encontro: Graças à nossa posição geográfica poderíamos estar condenados, mas hoje somos a instituição do país, com maior percentagem de alunos estrangeiros. Já anteriormente tínhamos conhecimento, de que quase dois mil estudantes estrangeiros frequentavam o Instituto Politécnico de Bragança, com tendência para aumentar em anos futuros, uma vez que o ambiente social que a comunidade local lhes tem vindo a proporcionar, vai potenciar nos países de origem (Cabo Verde, Guiné, Angola, Moçambique) e vários Países do Leste Europeu, o desejo de para ali se encaminharem.
Isto contrasta até com a dificuldade que as Universidades do litoral têm levantado à redução dos numeros clausus das suas instituições, que seriam transferidas para as do interior, como é Bragança, Guarda ou Vila Real. Porque se está a verificar, pelo exemplo do Politécnico de Bragança, que os alunos provenientes do estrangeiro preferem cidades mais pequenas para viver, onde se integram melhor socialmente, onde vivem com menor custos de instalações e onde terão mais facilidade de fixação, findo os estudos académicos. Necessário se torna evidentemente que o Ministério da Educação olhe para esta realidade e apoie quem para aqui se dirige.
Uma última nota a respeito do agrado manifestado pelos empresários que se veem fixando também, já com meio dúzia de atividades que aproveitam para transformar produtos locais (castanha) ou a proximidade à Galiza (Catraport) – indústria de produção de componentes para automóvel – uma das maiores do país.
Estas notas justificam o espanto de quem veio pela primeira vez ao interior, ao afirmar como já o fizemos acima, que Bragança se está a transformar numa pérola.
Oxalá continue e que o exemplo seja seguido por outras terras do interior.

