Av. Carvalho Araújo
No nosso primeiro mandato como Presidente da Autarquia 1977/79, tivemos a oportunidade de assistir a uma ação de formação promovida pelo Centro de Estudos de Formação Autárquica – CEFA, em Coimbra, de que era Diretor o saudoso Professor Barbosa de Melo, um pedagogo em administração autárquica, área de ensino tão necessário naquela época, porque se estava no início de um processo democrático em que a vertente das Autarquias Locais tinham um grande papel a desempenhar.
Recordamos que na primeira sessão de formação, um Professor Brasileiro, começou a sua doutrinação aos autarcas presentes, com o seguinte ensinamento. "Vocês que têm responsabilidade de gerir os destinos da vossa autarquia devem interrogar-se muitas vezes, sobre as prioridades a que devem atender, no exercício das vossas funções. E, o princípio que devem usar é este, de que vos dou um exemplo. Eu pretendo mexer nos espaços verdes e jardins da minha cidade. Mas será que os cidadãos sentem que isso é um problema? Ou haverá outras preocupações mais prioritárias no entendimento geral dos Munícipes?"
Lembrámos esta regra basilar, que sempre nos norteou durante os dezoito anos em que estivemos responsabilizados pela gestão da coisa pública no nosso Concelho, a propósito do anteprojeto que a Autarquia tem em discussão pública, para dar uma nova face à Avenida Carvalho Araújo. Um projeto de ideia que conhecemos mal, embora o seu autor, o Arq. Belém Lima, nos mereça a maior confiança.
A primeira questão que se nos afigura colocar é esta. Será que dar um novo rosto à Avenida Carvalho Araújo, um dos ex-libris de Vila Real, é uma prioridade? A Av. Carvalho Araújo é hoje de facto uma das preocupações dos vila-realenses, em termos de tráfego citadino, que haja necessidade imediata de resolver? Em nossa opinião, não é.
Admitimos, que possa ser intenção do atual executivo municipal fazer uma intervenção urbanística, que marque a sua gestão em termos históricos, e que Vila Real venha a ser altamente beneficiada em termos até de atracão turística. Seja. É opção de quem gere a autarquia, e quem somos nós para contestar essas opções, se é que elas fizeram parte do programa político sufragado nas últimas eleições.
Mas, a questão que aqui se coloca, é a da alocação de meios financeiros para uma obra desta natureza, quando tanto há ainda a fazer em termos estruturais (não apenas infraestruturas) para promover o desenvolvimento do Concelho. Desconhecemos quanto é que esta intervenção irá custar em termos financeiros, um dia se saberá, mas é nossa opinião (é só a opinião de um munícipe) que o concelho terá outras prioridades, em termos por exemplo, de acessibilidade aérea ou ferroviária, de infraestruturas desportivas, de repovoamento florestal, de equipamento fluvial (poderíamos elencar dezenas de ideias – mas não é ocasião para isso).
Temos ouvido, que seria oportuno fazer um referendo aos vila-realenses para saber a sua opinião, acerca deste assunto. Não nos parece que isso seja necessário. Mas, se dúvidas houver, não deixem de os consultar.

