Coesão Territorial | A Linha do Douro
Assistimos na semana passada, na UTAD, a uma Audição Pública, promovida pela Comissão Eventual de Acompanhamento do Processo de Definição Estratégia Portugal 2030. Um nome pomposo para referir um encontro em que se expuseram ideias para elaborar o Plano de aplicação dos Fundos Comunitários que chegarão de Bruxelas no próximo Quadro Comunitário de Apoio (período de 2020 a 2030).
Retemos um tema que interessa à região, desde há muito e pelo qual vão terçar armas os autarcas das Comunidades Intermunicipais do Douro (dezoito municípios), das Terras de Trás-os-Montes (nove municípios) e do eixo Atlântico do Noroeste Peninsular (trinta e seis municípios) - a Ligação Ferroviária do Porto a Zamora. Em termos de Poder Local, é nossa firme convicção que é o maior número de sempre de municípios associados a defender esta causa. Que é, sem qualquer sombra de dúvida, a infraestrutura fundamental, para promover a coesão territorial entre o litoral atlântico e a meseta ibéria.
Em recente notícia de 14 de junho, da autoria da Márcia Fernandes já a VTM referia um estudo recente da União Europeia, que chamava à atenção para a relevância e potencial de desenvolvimento da Linha do Douro, entre o Pocinho Barca de Alva e Fregenede-Salamanca, com um custo estimado de requalificação na ordem dos 578 milhões de euros. De resto este documento identifica 365 ligações ferroviárias transfronteiriças em todo a União Europeia tendo selecionado os 48 projetos mais promissores e com maior potencial de reativação, onde está incluída a Linha do Douro.
Este estudo é coincidente com um outro a que nós próprios já fizemos referência, realizado em 2016 pela empresa Infraestruturas de Portugal (IP) onde também se demonstrava o potencial desta linha ferroviária.
E mais, no que concerne a custos, este estudo demonstra que o valor estimado de 473 milhões de euros, é bem inferior ao custo de quatro estações do Metropolitano de Lisboa.
Pasme-se: Uma via ferroviária que ligará o Porto de Leixões a Castilha-Leon, numa extensão de mais de 250 quilómetros, que servirá toda esta vasta região do Douro potenciando o seu desenvolvimento, teme-se que poderá ser preterida, em termos de financiamento às aludidas estações do Metro (cujo custo deveria ser suportado exclusivamente pela autarquia lisboeta, se é que considera a referida infraestrutura essencial para o bem-estar dos seus residentes).
Luís Ramos, e outros deputados pelo Circuito de Vila Real têm carregado praticamente sozinhos, este fardo de tentar incluir nos Planos de Infraestruturas para a região, a revitalização da Linha do Douro. Agora juntam-se lhe as vozes e a força política, dos autarcas do Eixo Atlântico e das CIMs do Douro e das Terras de Trás-os-Montes. Seria curial, que a própria Área Metropolitana do Porto se lhes juntasse neste grandioso projeto que pode alavancar em definitivo, o desencravamento do Alto Trás-os-Montes. Recordando até que foram os Comerciantes do Porto quem, com grande visão estratégico na 2ª metade do Século XIX, financiaram inteiramente, a expensas suas, a ligação ferroviária desde o Porto a Barca de Alva, para atingir o coração da Meseta Ibérica.
Parece-nos que os nossos autarcas, conforme ouvimos na UTAD, ao Presidente da Comissão Intermunicipal do Douro, estão finalmente a unir-se em torno de projetos de âmbito regional, e no caso, até de âmbito transfronteiriço. O que lhe pedimos é que não esmoreçam neste seu intento e conjuguem esforços com o designado Movimento Pelo Interior, para ver se se inverte a tendência centralizadora de capturar tudo para as grandes metrópoles. Isto sim, será fazer a coesão territorial.

