Romaria e não Só
1 – Mais uma vez a capital transmontana se encheu, no passado fim-de-semana, com o roncar dos motores, no circuito citadino que é, segundo algumas opiniões, um dos mais belos do mundo. O nome da cidade foi levado a todos os cantos do planeta, graças à transmissão televisiva em direto, de algumas das provas via TVI24 e EUROSPORT.
Estão, pois, de parabéns, todas as entidades responsáveis por este evento, em particular a Câmara Municipal, que mete ombros a uma iniciativa que, parecendo fácil, implica na realidade uma coordenação de meios e de apoios financeiros de que só quem está por dentro da organização tem a real dimensão.
Temos comentado por diversas vezes, em público e em privado, que as Corridas de Automóveis são a verdadeira Romaria da cidade de Vila Real, que atrai até nós, nesta ocasião, muitas dezenas de milhares de pessoas (não conseguimos quantificar).
É certo que a natureza deste evento talvez já não suscite nos vila-realenses o mesmo entusiasmo que as corridas suscitavam outrora, nos anos de quarenta a setenta. Tudo era muito mais familiar naquele tempo e o evento envolvia praticamente todos os residentes que faziam também parte do espetáculo. Isto não significa porém, de maneira nenhuma, que este evento não seja considerado, por esta nossa cidade, como o maior cartaz em termos de divulgação e de afirmação turística, que não se poderá perder, enquanto as entidades públicas em particular a CCDRN (Comissão de Coordenação de Desenvolvimento Regional do Norte) conseguirem incluir nos apoios comunitários o financiamento das provas. Discutível? Como tudo na vida.
2 – Uma notícia da semana passada atraiu a nossa atenção para um tema muito relevante que queremos partilhar com os nossos leitores.
O Jornal Publico de 22 de junho titulava: Aeródromo de Viseu quer ser mais uma porta da Europa. E depois explicitava: Autarquia tem plano arrojado para a infraestrutura ser retaguarda do Aeroporto Sá Carneiro. A aposta passa também pela carga aérea e correio. Voos executivos no aeródromo estão a aumentar.
Não temos dúvidas que esta notícia já deve ter sido lida pelos autarcas vila-realenses, que terão ficado surpreendidos, tanto quanto nós, por este ultrapassar de projeto que a capital das Beiras está a tentar passar à Capital Transmontana. É que pessoalmente sempre sonhámos que o Aeródromo de Vila Real deveria criar condições, não para ser uma alternativa ao Aeroporto Sá Carneiro, porque isso é uma utopia (as alternativas ao Porto, São Vigo ou Lisboa, ponto final), mas para poder oferecer outro tipo de operação, para aeronaves de outra dimensão, capacitando-o para vir a ser a verdadeira entrada no Douro, por via aérea.
Não é ideia que não tivesse partilhado já, informalmente com alguns dos nossos atuais autarcas. É uma ambição realista e exequível, duplicar o cumprimento da pista, por forma a ser possível ampliar o tipo de operação que Vila Real liderou quando em 1983 se criou a LAR. Transportadora Aérea Regional de que eram acionistas vários Câmaras Municipais e de que o nosso Município detinha a Presidência do Concelho de Administração.
A acessibilidade aérea é tão importante como a rodoviária, sobretudo quando a ferrovia é cada vez mais uma miragem. Deixamos aqui, mais uma vez, o nosso veemente apelo aos nossos responsáveis municipais. Vila Real não pode deixar-se ultrapassar nesta matéria pelos seus vizinhos. A verdadeira e única porta aérea do Douro é Vila Real, ponto final.

