Como Deve Ser (2)
Na semana passada, refletimos nesta coluna de opinião, sobre o entendimento que temos do papel que as Universidades (designadamente as situadas fora das duas grandes metrópoles de Lisboa e Porto) podem e devem ter no desenvolvimento económico do território rural. E escrevemos: quando se ouvem os lamentos públicos das dificuldades financeiras das Universidades portuguesas, interrogamo-nos se estas nossas instituições, tão ricas em conhecimento, estão a ser devidamente coresponsabilizadas no processo de desenvolvimento das regiões e do país em geral.
Constatamos que esta nossa inquietação e sugestão, já fora objeto de uma tomada de decisão dentro da nossa UTAD – Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, pois que com data de 23 de Maio, nos cai no nosso computador a seguinte informação: Desenvolvimento agrário é enfoque da UTAD em projetos PDR 2020. Pura coincidência, naturalmente, o que nos permite voltar a este tema, para explicitar em que se traduz esta iniciativa. Alberto Baptista, Pró-reitor da UTAD explica: Com as parcerias constituídas para cada projeto pretende-se desenvolver um plano de ação visando a inovação no sector agrícola, respondendo a problemas concretos ou a necessidades que se colocam à produção e aos agricultores. São projetos que visam, no essencial, apoiar a transferência de conhecimento e de tecnologias das instituições de investigação científicas para os produtores.
No âmbito do Programa de Desenvolvimento Rural (PDR2020), medida 1 – Inovação, a UTAD está a participar em 20 projetos que envolvem um financiamento para a instituição de cerca de 2 milhões de euros, envolvendo sobretudo investigadores das Escolas de Ciências Agrárias e Veterinárias e Vida e Ambiente. Do lado da região são cerca de 135 os parceiros de entidades públicas e privadas envolvidos nestes projetos que englobam autarquias, empresas, cooperativas, associações diversas e produtores singulares
A título de exemplo: há projetos no sector agrário, como a produção animal (pequenos ruminantes, produtos cárneos, raça arouquesa, leite e vespas) ou na produção agrícola (olivicultura e azeite, castanheiro, cereja de Resende, frutos secos, gestão de stress hídrico de vinhas, combate biológico na vinha e frutos secos, ou na produção florestal (cancro do pinheiro e do castanheiro).
Conclui ainda o referido Pró-reitor que estes projetos permitem à Universidade afirmar-se como um ator chave no desenvolvimento regional agrário e rural o que se traduzirá naturalmente no desenvolvimento sustentável do território e a fixação da população.
Felicitamos a instituição, os seus investigadores e cientistas pelo seu envolvimento em projetos de extensão rural e pedimos à atenção, em particular dos autarcas, para que aproveitem a instituição para promover novos Programas de Desenvolvimento. Recordamos sempre e nesta altura parece-nos muito adequado intervir no reinvestimento florestal, em particular em terrenos baldios, para que esta fileira possa voltar a ser um pequeno motor da fixação de mão-de-obra nos meios rurais tão atingidos pelo despovoamento nos últimos 40 anos.
Lembramos os Baldios que são os solos mais disponíveis para intervenção imediata. Têm aqui a palavra as Comunidades Intermunicipais do Douro, do Alto Tâmega e do Alto Trás-os-Montes.

