Como Deve Ser
A Fundação da Casa de Mateus iniciou recentemente um ciclo de conversas sobre Arte e Ciência, um tema apelativo para refletir "A Universidade como deve ser". Convidou como orador, António M. Feijó e Miguel Támen, autores de um livro sob o mesmo tema e ainda o Professor João Filipe Queiró, da Universidade de Coimbra, autor da obra "O Ensino Superior em Portugal".
Assistimos a esta conversa, como tantos outros convidados. Não resistimos a dar o nosso contributo, partilhando com os leitores algumas das razões pelas quais pugnámos, quando autarca, para que o Ensino Superior Universitário fosse também uma realidade na nossa região, o que veio a ser assegurado com a criação da UTAD – Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e com o IPB – Instituto Politécnico de Bragança.
A Universidade como deve ser! Na ótica de quem? Da comunidade em que a mesma se instala, ou na opinião dos seus docentes e investigadores? Nem sempre as respostas serão coincidentes.
Quando na década de noventa do século passado tivemos a oportunidade de visitar os E.U.A, quisemos saber qual era o papel das Universidades no Desenvolvimento Regional, por nos parecer que em regiões deprimidas, podem ser estas o motor do desenvolvimento. E constatamos que naquele país, os Estabelecimentos de Ensino Superior, fora das grandes metrópoles, tinham três valências essenciais: Ensino, Investigação e Extensão. Na maior parte dos casos Extensão Rural. O financiamento é modelo exemplar. Consiste num terço, o Ensino, na responsabilidade do Estado (Central e ou Estadual), um terço, dos projetos de investigação que a instituição faria por encomenda, das entidades públicas e privadas e o outro terço pelo seu envolvimento no processo de desenvolvimento regional.
Lembrámos nessa altura, o que sucedeu na nossa região com o PDRITM – Plano de Desenvolvimento Rural Integrado de Trás-os-Montes e Alto Douro, lançado pela Comissão de Coordenação da Região Norte, sob a responsabilidade de Prof. Engenheiro Valente de Oliveira, que encarregou a UTAD de monitorizar o programa e de executar os projetos de investigação necessários, no domínio da pecuária, da silvicultura e da vinicultura, como mais emblemáticos.
Da experiência que recolhemos do que se fazia nas Universidades de Berkey (Califórnia) ou na de Prudue no Illinois, percebemos que as Universidades haviam sido, e continuavam a ser, os motores do desenvolvimento regional, de harmonia com as políticas públicas dos respetivos governos estaduais, que naturalmente financiavam os programas que haviam incumbido às Universidades de executar.
Quando se ouvem os lamentos públicos das dificuldades financeiras das Universidades portuguesas, interrogamo-nos se estas nossas instituições, tão ricas em conhecimento, estão a ser devidamente coresponsabilizadas no processo de desenvolvimento das regiões e do país em geral.
No caso exemplar da nossa UTAD, lembramos o contributo que tem dado no avanço tecnológico da enologia, um grande sucesso de que a economia rural tanto tem vindo a beneficiar.
Será que muita outra investigação em outras áreas, não deveria estar a ser implementada (silvicultura, pecuária, etc., etc...)?
Que sabemos nós?

