O Xico das Águas
Vila Real despediu-se de Francisco Barros, conhecido em todo o concelho, como o Xico das Águas, após o seu falecimento que ocorreu no passado dia 16 de março.
Quem era Francisco Barros? Um funcionário dos SMAS, Serviços Municipais de Água e Saneamento, onde o fomos encontrar quando, eleito Presidente da Câmara em 1977, iniciámos funções no exercício do nosso primeiro mandato. Vila Real, cidade, tinha no abastecimento público de água ao domicílio um dos seus maiores e mais graves problemas, para o qual havíamos sido alertados pelos responsáveis da Comissão Administrativa que precedeu a nossa entrada em funções.
O Xico Barros tomou a iniciativa e disponibilizou-se para ajudar a encontrar as soluções para tão grave problema. Parecia ser uma equação irresolúvel. Quando chegava o verão a cidade só dispunha de 600 metros cúbicos de água diária (400 m3 das minas de Lordelo e 200 de bombagem direta do Corgo em Codessais).
Quantas vezes nos encontramos, noite fora, na Estação de Bombagem do Rio, ou nos depósitos do Bairro de S. Vicente de Paula, a conferir os níveis das reservas que eram cada dia mais escassas.
Deu-se o passo em frente, com a construção da Barragem do Alvão, que ele próprio nos sugeriu, que foi também uma forma de eliminar a dependência das minas de Lordelo (obsoletas já nessa altura).
Recordamos também, que a rede de distribuição da cidade, em Lusalite, não aguentava as pressões a que era sujeita, o que obrigava a um serviço de piquete para ocorrer às frequentes fugas de água nos arruamentos. E, tanto quanto nos recordamos, esses piquetes improvisados, jamais foram abonados no pagamento de horas extraordinárias, porque a habilidade do Xico Barros se encarregava de recompensar de outras formas este tipo de trabalho.
Se a cidade lhe deve, milhares de horas sem dormir, também o mundo rural, que em 1977 praticamente não conhecia o que é abastecimento domiciliário (salvo Constantim, tanto quanto nos lembramos), deve à determinação deste homem, ao seu empenho, ao seu conhecimento pessoal das pessoas e dos recursos hídricos das nossas aldeias, o desenvolvimento crescente no abastecimento domiciliário, que em menos de vinte anos foi possível fazer chegar praticamente à totalidade das nossas freguesias rurais.
Neste apontamento, não queremos esquecer também o Bombeiro da Cruz Verde. Com grande garbo vestia a sua farda de Combate da Paz, ele que já era um Bombeiro para todo o serviço, como funcionário do município, na sua especialidade.
Sabemos que o Xico Barros, pelo seu feitio agregava vontades. Ao recordá-lo aqui, prestamos também a nossa homenagem, a tantos Servidores Municipais que com ele deram e dão o seu melhor para que os municípios tenham mais comodidade e mais conforto no seu dia-a-dia.
Homens como o Xico Barros enobrecem a Função Pública – que existe para servir, e enobrecem as instituições que representam.
Obrigado Xico, pelo muito que nos deste. Descansa em paz.

