Palavras
1 – OS TRES FURACÕES
Estamos no meio de três furacões muito importantes: as alterações climáticas, a dramática desvitalização do interior e o desordenamento da floresta.
O mais difícil é mudar a base dos problemas: o despovoamento do interior; se não pusermos a economia a funcionar neste território, não temos solução para ele. O interior desertificou-se porque deixou de haver atividade económica, isto aconteceu no espaço rural e urbano.
Nas áreas ardidas foram feitas propostas para que as pessoas deixassem de reconstruir casas em zonas isoladas e optassem por aglomerados populacionais mas, até agora ninguém aceitou. Quando se tratou de reconstrução introduziu-se um mecanismo para que os municípios propusessem uma recolocação junto ao nucelo populacional mais próximo. Não tem tido nenhum sucesso.
São palavras que pensávamos terem sido proferidas por algum dos cientistas que integram a comissão criada para fazer a análise das causas e consequências do ocorrido em junho e outubro em grande parte do território da zona centro do país – áreas que a partir de agora, e provavelmente por muitos anos, vão ficar desertas de população e também de vegetação.
Estas palavras foram extraídas de intervenção que o Dr. António Costa proferiu na Gulbenkian em conferência ali realizada sobre a Instalação do Sistema de Gestão Integrada de Fogos Florestais.
Facilmente se percebe que continuam a faltar políticas realistas, que em boa verdade, ainda não houve tempo para as tomar. Mas o interior cá continuará a espera que elas venham a existir, para se passar das palavras aos atos. Porque, se não, não serão mais do que palavras.
2 – ODIOS DE ESTIMAÇÃO
A Esquerda, BE e o PCP, continuam, agora através de simpatizantes seus, nas redes socais e nos órgãos de comunicação social em geral a perseguir ferozmente o inimigo que mais frente lhe fez, enquanto foi governo, o Dr. Pedro Passos Coelho (PPC). Enquanto se manteve na Assembleia, como Deputado, ainda se compreendia. Agora que saiu e foi convidado para lecionar numa Universidade, a perseguição continua. Bem certo é o ditado que afirma que só se atiram pedras às árvores que dão fruto. E PPC, a quem a generalidade da população credita a grande capacidade política de ter tirado o país da bancarrota a que a governação socialista o havia conduzido, é sempre um alvo a abater, por recearem – e nisso não estão enganados, que a voz de alguém com esta experiencia e audiência será sempre incómoda para os devaneios da esquerda populista e para os interesses inconfessáveis de um Partido Politico que ainda sonha com os amanhãs marxistas-leninistas de uma sociedade sem classes – uma aberração que Mikhail Gorbachev com a sua Perestroika conseguiu varrer de vez da face da terra.
Em boa verdade a indignação pela nova carreira de PPC não é por ser professor catedrático convidado ou por estar numa universidade pública, é porque há sectores ideológicos que se especializaram no ódio. As críticas a Passos Coelho não são escrutínio de um ex-governante. São jarros de cianeto provenientes de metabolismos que o produzem em abundância. Cito Maria João Marques em "Odiar Perdidamente" (Observador de 7 março).
Deixem o homem de família em paz prosseguir a vida profissional a que tem direito. Pessoalmente é com enorme gosto que o vemos a dar aulas na Universidade de Adriano Moreira, onde eu próprio fui formado.
Esquece Pedro, são só palavras. Não mais do que palavras.

