Combater a Seca
A seca que se está a abater em todo o território nacional, obriga-nos finalmente a olhar para a questão da água, ou melhor, para a sua falta porque sem ela a vida não apenas humana, mas de todos os seres vivos torna-se impossível.
Registámos, com muito agrado, a informação veiculada no último fim-de-semana, por um dos maiores semanários, sobre a ideia de construir no Rio Tejo, um conjunto de albufeiras, a que impropriamente designaram – um novo Alqueva, para represar a água desde a foz, em Lisboa, até pelo menos Castelo Branco. Tratar-se-á de um conjunto de embalses, que permitirão a navegabilidade do Tejo desde a foz até pelo menos Castelo Branco, o regadio de toda a fértil lezíria e o armazenamento de muitos milhões de metros cúbicos de água, que agora se desperdiçam no Oceano Atlântico.
Aplausos para a ideia que, não obstante os montantes envolvidos – mais de 500 milhões de euros, não pode deixar de ser aplaudida, porque os efeitos na economia da região e do país, vão naturalmente compensar o esforço financeiro de um projeto desta envergadura. Só recomendaríamos ao Governo, que o financiamento deste projeto não dependa apenas dos Fundos Comunitários, porque se isso acontecer, o resto do país parará para obras, como costume dizer-se. Sigam o histórico do que se passou no Douro. As barragens desde a Foz até Barca de Alva foram financiadas inteiramente pela iniciativa privada – na altura a CHENOP (Comp. Hid. Elect. do Norte de Portugal), que ficou com o direito à exploração da energia elétrica, que os consumidores pagaram, naturalmente, ao longo destes cinquenta ou mais anos.
Barragens do Tejo, muito bem. Há que seguir o exemplo. Noutra escala: Rio Corgo. Há trinta anos, equacionamos uma Barragem em Vila Seca/Ponte, que armazenaria, várias dezenas de milhões de metros cúbicos de água – uma barragem de fins múltiplos, para armazenamento de água, produção de energia elétrica, regadio, lazer... Um espelho de água que permitiria regularizar os caudais do rio, abundantes quando chove e escassos na estiagem. Infelizmente, outros decisores, optaram nessa altura pelo Rio Pinhão em Pinhão-Cel, com muito menos capacidade de armazenamento e uma bacia hidrográfica de muito menor dimensão. Está feita, é útil, não interessa olhar para trás.
O futuro exige e convoca-nos – a nós vila-realenses a aproveitar os recursos hídricos que temos. Vila Seca/Ponte tem um enorme potencial em termos de recursos hídricos e virá a ser, se houver arrojo, o seguro de vida da cidade de Vila Real. Saber aproveitá-los, é um desígnio, um dever, e por que não, um desafio para a nossa Autarquia, que foi capaz de construir as Barragens do Alvão e do Sordo, obras que hoje resolvem bem, as necessidades de abastecimento público, mas não mais do que isso.
Adiantemos mais. Este será sempre um investimento que se autofinancia pelo que não poderá ser invocado nunca o argumento de que não se faz, porque não há capacidade financeira para o executar. Porque aos bons projetos, nunca falta a capacidade de financiamento.
Pode faltar apenas a coragem política. Mas, isso é coisa que não falta com certeza, aos atuais líderes da nossa autarquia.

