Há um Mundo Novo lá Fora
Um artigo de João Vieira Pereira, (JVP) no Jornal Expresso de 10 fevereiro, alerta-nos para um tema que desde há muito nos preocupa e que gostaria de partilhar com os leitores.
Depois de todas as reversões que o atual Governo veio fazendo nos últimos dois anos, devolvendo "rendimento" à Função Pública e pensionistas, com os escalões mais baixos (os escalões superiores ainda não viram nenhum acréscimo nas suas remunerações ou pensões e têm a meu ver o mesmo direito), as esquerdas (BE e PCP), vão virar-se para a revisão das Leis Laborais que são, no nosso entender, muito lesivas dos interesses dos trabalhadores. Ou seja, depois do funcionalismo público, há que se virar para o sector privado da economia, que, na opinião delas já começa a respirar e estará em condições de proporcionar salários e regalias semelhantes aos do sector público.
Porém, recorde-se, o sector privado ainda só foi contemplado com a reposição dos feriados e pouco mais...
Vejamos porém, em que é que as Leis Laborais são importantes na criação de emprego. O mencionado articulista refere que "no máximo dos máximos as Leis Laborais são neutras na criação de emprego. E que essa neutralidade é maior quanto maior for o crescimento da empresa, do mercado onde ela se insere e, no limite, de toda a economia".
O que significa que se houver crescimento económico a criação de emprego acontecerá independentemente das Leis Laborais. De resto é o próprio Primeiro-ministro quem afirma que "se tem demonstrado que a legislação laboral não é um entrave ao crescimento do emprego."
Nem consta que os milhares de cidadãos portugueses que se deslocam para outros países à procura de emprego, o façam porque as leis laborais desses países são mais flexíveis. Nem a emigração procura países como a Venezuela ou Cuba, para citar dois países emblemáticos, cuja legislação é muito do agrado do PCP.
É que a extrema-esquerda afirma, e bem, que quer leis laborais que defendam o "emprego com direitos" – e quem é que não quer? Só que muitas vezes os direitos "adquiridos" de alguns trabalhadores colocam em causa não só o seu emprego, mas a criação do de outros.
Esta esquerda, refere JVP, está a ser fiel aos seus princípios, ou seja, a destruição da iniciativa e do capital privado em prol de uma economia estatizada. Esquecem que há um mundo novo lá fora, uma revolução em curso que irá muito rapidamente alterar a forma como se trabalha. Aconselhamos quem esteja empregado há mais de 20 anos a olhar para trás e perceber o que já mudou nesse seu próprio mundo do trabalho, com as novas tecnologias por exemplo....
E lembramos a estes defensores da extrema-esquerda, que por muito que eles não queiram, hoje muitos dos jovens que ingressam no mercado de trabalho, principalmente nos sectores tecnológico não procuram um vinculo laboral, preferem trabalho por tarefas e projetos. E fazem-no daqui para qualquer empresa, em qualquer lugar, em qualquer país. Com estas ou outras leis.
Há de facto um mundo novo lá fora, que não se rege por leis bafientas.

