Temas Quentes
1 – A Justiça entrou agora em cena, a propósito das suspeitas que se noticiam relativamente a um Juiz e que levam por arrasto um dos maiores Clubes de Futebol do País e do Mundo – o Benfica, a cuja presidência de direção, o citado magistrado, agora arguido, se candidatou aqui há anos atrás. Futebol (Benfica) e Justiça (um conhecidíssimo juiz desembargador) são faísca suficiente para incendiar a comunicação social e, por arrasto, a opinião pública.
Todos aqueles que como nós, tinham no sistema judiciário português uma confiança a toda a prova, sentimos agora, como a fraqueza humana atingiu também a justiça. Um articulista do Expresso (3 de fevereiro de 2018), sob o título de Cabala em Cabala generaliza este tema afirmando: da política aos negócios, da própria justiça ao futebol, ninguém fica de fora, revelando que Portugal tem mesmo um sério problema no domínio do chamado crime de colarinho branco que agora entrou nos radares da Policia Judiciaria, e muito bem, porque ainda há muito pouco tempo se atacava a Justiça por apenas castigar os pequenos.
Ora os processos que, uns atrás dos outros se abatem sobre o país mostram à evidência o contrário. Da política aos negócios, da própria justiça ao futebol ninguém fica de fora, revelando que Portugal tem mesmo um sério problema no domínio do chamado crime do colarinho branco. Que sempre foi muito evidente, para nós no que ao futebol respeitava. A confusão entre quem dirigia os Clubes, e os seus interesses pessoais, não podia deixar de lançar sérias dúvidas sobre as verdadeiras intenções destes pseudo-mecenas desportivos.
2 – Os governantes, em particular os que lidam mais de perto com as Finanças, a Economia e até a Agricultura, tem uma preocupação genuína quando fazem declarações públicas, ao enfatizar o bom desempenho do país, no que diz respeito às exportações e à produção de bens e serviços em geral. E quem os ouve, fica com a ideia de que o país se desenvolve, que o crescimento económico é um dado adquirido e de que as medidas governativas são as apropriadas. Ora, esta visão cor-de-rosa, não passa, o mais das vezes de pura falácia.
Um dos índices estatísticos pelas quais se afere o aumento da riqueza de um país em determinado ano económico, é o Produto Interno Bruto (PIB). Uma definição simplista deste índice, retirado do Google, diz-nos que o PIB é o conjunto da riqueza gerada no país. Engloba o cálculo global de todas as atividades económicas, sendo que o índice que normalmente é referido – é o PIB per-capita que é o resultado da divisão da riqueza total de um país pelo número dos seus habitantes.
Tanto quanto se anuncia em 2017, o aumento da riqueza no nosso país foi de aproximadamente 1.4 %, o que dá a entender que aumentou a riqueza. Será que aumentou? Em análise simplista, parece-nos que o país não enriqueceu. Pelo contrário, empobreceu e muito, se for tido em conta neste índice os prejuízos que advieram para uma parte significativa do território nacional, em consequências dos incêndios que devastaram áreas incomensuráveis que correspondem a cerca de um quarto do território nacional a norte do Tejo.
A questão que se coloca é simples. Depois de tantos relatórios que a Proteção Civil já elaborou e mandou efetuar a técnicos independentes, alguém conhece os valores financeiros resultantes da destruição do património construído, dos prejuízos na agricultura, na pecuária, na silvicultura, nas infraestruturas rodoviárias, de comunicações, etc... etc...?
Percebe-se que os governantes não tenham interesse em divulgar estes números. Mas não continuem a dizer-nos que o país enriqueceu.
Não em 2017 todos ficámos mais pobres.
Essa é a triste realidade que o PIB não nos mostra.

