E Agora é Hora de Agir
Acabou finalmente esta disputa eleitoral para escolher um novo líder para o Partido Social Democrata que decorreu ao longo de (penosos) três meses e que terminou agora com a vitória de Rui Rio.
Uma campanha que interessou naturalmente mais aos militantes e simpatizantes desta força partidária, ainda que, tanto quanto nos apercebemos, fosse atentamente seguida pelos Partidos da "Geringonça". Tanto assim, que nos programas de opinião pública dos canais televisivos, os mais atentos perguntadores eram invariavelmente daquele quadrante, atrevendo-nos a dizer – maioritariamente da área comunista. Um bom sinal, diria, para o novo líder, que tem agora quase dois anos para recolocar o Partido no sítio onde deve estar, que é o de afirmar uma alternativa de governação para o país, que precisa de retomar o rumo pós-Troika, que estava a ser seguido em 2015, como comprovadamente o eleitorado sufragou, quando deu a maioria (não absoluta) aos partidos que tiveram a responsabilidade de tirar o país da bancarrota, após os anos desastrados de governação socrática.
Foram anos que exigiram muitos sacrifícios ao povo português, é verdade, mas sem os quais não seria possível ao país iniciar um processo de recuperação e de crescimento económico.
O resto, é tudo conhecido. Quem ganhou as eleições (PSD/CDS) não logrou o apoio parlamentar para poder governar, e o habilidoso António Costa, mancomunado com o PCP, avançou para o Palácio de S. Bento, impondo uma política reversionista, que agrada à maioria do eleitorado, mas não leva o país para parte nenhuma.
É aqui que deve entrar, a nossa ver, o novo líder do PSD (perdoe-nos o CDS) – o novo líder da oposição. Ao fim de dois anos de paralisia de crescimento económico é necessário que venha alguém e que dê dois murros na mesa e diga ao país: assim, sem crescimento – ou seja, sem investimento público e privado, não vamos a lado nenhum.
Bem pode a agora Presidente do Euro grupo proclamar que a economia está a crescer algumas décimas, quando maioria dos países europeus crescem muito mais, ou que a nosso déficit está contido dentro das regras do Pacto Orçamental Europeu – embora à custa de uma Dívida Pública astronómica (sem contar os déficit ocultos não contabilizados), que nenhum economista de bom senso o acreditará.
Exige-se ao novo líder da oposição, que seja claro, objetivo e sincero, na denúncia desta falacia que é a atual governação que mantem o país a marcar passo. Não é o consumo que permitirá o crescimento económico. O consumo contribui, se os consumíveis forem de produção interna. O que, infelizmente ainda não é o caso no nosso país.
Então, há que direcionar o investimento para a produção de bens transacionáveis, como o Prof. Cavaco Silva, tantas e tantas vezes lembrou.
Concluindo. Felicitar o novo líder do ainda maior partido português. Que não se deslumbre com a vitoria. Tem sobre os seus ombros a pesada tarefa de apontar os caminhos que o país terá de seguir, se não quiser continuar a marcar passo, como atualmente sucede.
O eleitorado, sabe-se, exige medidas no curtíssimo prazo. Porém o país necessita de um líder que pense num futuro sustentável.
Só assim terá valido a pena, esta penosa disputa interpartidária.

