Com a Verdade nos Enganam
O comunicado do Conselho de Finanças Públicas é um claro aviso sobre os riscos que o país está a correr, em termos de equilíbrio orçamental, consequência do puxar pelas despesas correntes, para contentar clientelas eleitorais, esquecendo o déficit estrutural bem como a elevadíssima dívida pública.
Também a Comissão Europeia, conforme notícias desta semana, começa a duvidar da bondade de tanto crescimento, tendo já chamado à atenção as nossas entidades financeiras, enquanto o PCP vem insistindo que não deve o Governo dar ouvidos a Bruxelas, porque aquelas entidades, dizem eles, têm uma visão retrógrada e capitalista da economia.
Enquanto isto, um colunista do Expresso, (João Vieira Pereira, insuspeito e reputado economista), desperta-nos num fundamentado artigo a que deu o expressivo titulo de "Mentira" (ed. 4 Nov.), que não vimos desmentido, com alertas mais que suficientes, para colocar preocupação a todos quantos entendem que por este caminho, chegaremos a descalabro igual ao que atingimos em 2011.
O país discute até à exaustão um documento cheio de projeções miríficas: Damos como certas as contas de qualquer Ministério (...) Avaliamos um Orçamento e toda a política de finanças públicas pelo valor do défice. Quanto menor o défice melhor o Orçamento. Não interessa a sustentabilidade de longo prazo da despesa e da receita. E dá o seguinte exemplo: Quando o governo avança com mais um processo de regularização de precários, sem fazer um levantamento das reais necessidades e ao mesmo tempo garante que será neutro do ponto de vista orçamental, sabemos que algo não bate certo. Para 2018 o Governo diz que há uma regra de substituição na Função Pública de 3:2. Por cada 3 que saírem devem entrar apenas 2. Em 2017 a regra de substituição era de 2:1 (que deveria gerar uma poupança de 122 milhões). Sei que a Direção Geral de Emprego Público registou até Junho, uma taxa de substituição de 1:1,1, um crescimento do emprego público de 10 %. Ou seja, a poupança não existe, mas ainda assim continua orçamentada. Uma mentira de 122 milhões.
O articulista remata desta forma: Este exemplo mostra que o PS não está a ceder ao Bloco ou ao PCP. Está a aproveitar a subida de receitas para comprar votos. É isso que os políticos fazem. Já os estadistas preferem pensar o país a longo prazo sem mentir e enganar de forma consciente.
Voltamos ao exemplo de regularização dos precários. Não se analisa a real necessidade do seu serviço. Não se cuida da forma como foram recrutados, com que critérios, sujeitos a que concursos. Uma verdadeira falácia.
Quando a malfada Tróika impôs ao país o Programa de Ajustamento, visava naturalmente que se ajustasse o número de servidores públicos, às reais necessidades, sendo certo que todos sabemos que há serviços com défices de pessoal e outros serviços – e são muitos, que pura e simplesmente até deveriam ser extintos.
Esta política de agradar a quem tem um emprego público dá votos com certeza. Mas, não pode deixar de conduzir a prazo para um anunciado desastre das Finanças Públicas.
Cujos alertas, começam a ser mais do que muitos, como se deixa dito.

