Ciclos Políticos de Crescimento Económico
Agora que se estão a acalmar as erupções provocadas pelas eleições autárquicas, é tempo de olhar de novo para o país, o que sucederá porque vem já aí a apresentação da proposta do Orçamento de Estado (OE) para 2018, ocasião que é sempre de grande expectativa, porque nas entrelinhas deste documento se pode antever os fios condutores da governação, para o ano que se segue.
Luís Marques, colunista do Jornal Expresso, que temos como muito rigoroso, chamou-nos à atenção (Ed. de 29 de Setembro), para o facto de só dezassete anos depois, a economia portuguesa regressar a um crescimento próximo daquele que foi com António Guterres, o último do ciclo dourado iniciado com Cavaco Silva, ciclo esse alimentado por uma forte aposta em infraestruturas públicas que mudaram o país.
O atual ciclo começou em 2014, ano em que a economia iniciou a recuperação com um crescimento de 0,8 % do PIB, com Passos Coelho como Primeiro-ministro. No ano seguinte a economia cresceu 1.58 % tendo baixado em 2016 para 1,39 %, já com o atual governo António Costa, tal como tinha acontecido com Guterres, recebeu uma herança melhor do que o seu antecessor, refere o articulista.
Apesar disso, os atuais governantes não se cansam de enfatizar que pegaram num país destroçado pela austeridade e que graças à devolução de rendimentos de salários e pensões, a economia está a crescer, o que até é atestado por uma das agências de rating a S&P. O Deputado Europeu Nuno Melo, numa crónica do JN sob o título Publicidade Enganosa desmonta a forma descarada, mesmo grotesca, como destacados responsáveis desta solução governativa (Geringonça) se aproveitam agora desta classificação de saída do lixo, quando em julho de 2015, diziam: a minha classificação sobre as agências de rating é que são lixo. É uma gente que já demonstrou não ser minimamente fiável. (Catarina Martins).
A retórica oficial dos 3 partidos que direta ou indiretamente estão no poder alimenta a ilusão de que o atual ciclo de crescimento resulta de devolução de rendimentos. Porém, os números modestos do consumo não o comprovam. A economia cresce, efetivamente por um desses milagres que ninguém consegue antecipar, que não depende de decisões políticas, mas de circunstâncias externas e internas que motivam os agentes económicos a investir, refere Luís Marques.
A economia está a beneficiar da política monetária do Banco Central Europeu, do preço do petróleo historicamente baixo, do boom turístico (temporariamente desviado para o nosso país) da atração dos investidores por ativos, sobretudo imobiliários, e bem assim o bom comportamento das exportações.
O articulista alerta-nos, porém, para o seguinte: A evolução de economia é imprevisível, para o bem e para o mal. Ninguém pode garantir por quanto tempo o atual ciclo de crescimento se manterá. E lembra: É durante as fases boas que um governo responsável resolve os problemas que podem ocorrer quando o ciclo muda.
Guterres não o fez (deixou o pântano) António Costa não o está a fazer. Guterres foi incapaz de fazer reformas. Costa vai pelo mesmo caminho. Guterres queria agradar a toda a gente. António Costa também. Guterres era um tático, tal como Costa. Ambos têm em comum a habilidade para o exercício do poder a qualquer custo, ainda que o custo para o país possa ser enorme (veja-se como aumenta a dívida pública mais de 250 mil milhões). Guterres fez da governação uma festa, Costa está a alimentar a festa. Sabemos como a outra acabou, veremos um dia como esta vai acabar.
Isto são factos históricos, que convém lembrar quando tudo parece embandeirar em arco.

