Alertas de Guerra
Uma semana de ausência não permitiu acompanhar os desenvolvimentos políticos da região e do país, em período tão intenso como é este de campanha eleitoral para as autarquias e de preparação do Orçamento do Estado para o próximo ano. Por esta razão, a nossa atenção foi atraída para outros temas da ordem internacional, com que diariamente convivemos, mas a que muitos vezes tentamos fechar os olhos.
Lendo um periódico do país vizinho, fomos interpelados por um artigo de opinião inserto no Jornal LA RAZÓN, subscrito pelo Cardeal Arcebispo de Valência, sob o título "Ditosos os que trabalham pela paz".
Linguagem de um alto clérigo da Igreja Católica que, embora apelando à paz, como é próprio do seu estatuto, nos alerta substancialmente para a guerra, que já vivemos em todo o mundo. Com este enunciado, feito pelo Papa Francisco, que se terá atrevido a dizer recentemente em, urbi et orbi que já estamos na Terceira Guerra Mundial. Não é uma afirmação feita por um qualquer jornalista. Trata-se da mais alta figura da Igreja da Igreja Católica.
Sejamos claros porém, que todo o mundo está em guerra, é uma evidência, que não carece de demonstração, tantos são os episódios que diariamente chegam ao nosso conhecimento. Porém desvalorizamos. Há a tendência em cada um de nós, de olhar para isto como sendo lá muito longe e não nos dizer respeito. Mas diz.
Atentemos neste parágrafo do Prelado que citámos: Não há paz. Sejamos sinceros, reconheçamos, não há paz. Porque além do mais, existem conflitos bélicos em tantas partes e a ameaça de guerra global está aí, uma guerra que se pode e deve evitar recorrendo a todos os meios legítimos que sejam necessários. E não se pode esquecer...um outro tipo de violência, a fome que grassa nos países subdesenvolvidos e as vítimas mortais que ela produz, pensar em continentes inteiros excluídos do progresso (África, Ásia), e particularmente no fenómeno vil, terrível e espantoso do terrorismo selo corrosivo da humanidade dos últimos tempos, em especial a Jiadista, com grande evidência nos últimos tempos em Espanha, na França, na Bélgica e Reino Unido. Referindo-se ao Jiadismo, este clérigo é perentório. A JIAD é guerra, é luta, é ódio, é eliminação do que consideram inimigo ou infiel.
O terrorismo, é perverso. Não só porque comete crimes intoleráveis, mas também porque enquanto recurso ao terror como estratégia política e económica, pseudo-religiosa ou pseudo-cultural, ou como arma ideológica é um autêntico crime contra a humanidade.
É despiciendo estar a recordar os aceleradores desta guerra global, contra a qual o cidadão indefeso não tem meios para se defender. O comportamento da líder norte-coreano por exemplo, não apenas a ameaçar, se não mesmo já a praticar o uso de armas atómicas, cujo poder destrutivo é bem conhecido. A importância das Nações Unidas, cujas advertências (Sanções) não têm mais de que um efeito simbólico, as respostas pouco sensatas do líder norte-americano que acabam por se descredibilizar por si, as alianças pouco recomendáveis, com base em interesses económicos com suporte nas produções energéticas, antecipam uma "panela de pressão", mundial e que o Papa Francisco ousou denunciar.
Vale a pena estar de sobreaviso, ainda que cada um de nós individualmente nada possa fazer para travar esta escalada bélica, para onde o mundo está a ser conduzido.

