Terrorismo Florestal
Os recentes atentados em Barcelona, com mais de uma dezena de vítimas mortais e de uma centena de feridos, vieram de novo chamar à atenção para a fragilidade em que vivem, hoje em dia, as sociedades humanas. Porque nos toca mais de perto, a nossa revolta é maior, mas não podemos esquecer os atentados semelhantes que vão ocorrendo em outras partes do mundo, em países da África Central e Oriental, bem como os que vão sendo noticiados no Médio Oriente e em muitos países asiáticos, sem esquecer os conflitos de guerra civil generalizada que se desenrola na Síria e na Venezuela, entre outros.
Atentados sem sentido, como são todas as guerras civis, onde quer que elas ocorram, porque em regra fazem vítimas inocentes cujo único crime foi o de estarem ou terem nascido no lugar errado, no tempo errado.
Ao lamentarmos este episódio de Barcelona ocorreu-nos associar este verão inclemente que se abateu em toda a Península Ibérica e países mediterrânicos, Sul de Europa e Norte de África. Verão quente que acarretou consigo uma saga de incêndios, cujo alastramento do fogo tem estado a dizimar grandes extensões de fauna e de flora, com muitas vidas humanas também, sem que se conheçam as causas para os crimes que diariamente são cometidos contra as sociedades humanas que aqui vivem.
Porque é disso que se trata: crimes cometidos contra as sociedades humanas, em geral vivendo no mundo rural, porque a agressão feita à natureza é, sem a mínima dúvida, um crime cometido também contra os proprietários dos imóveis.
É também uma forma não menos violenta de terrorismo esta que se vem abatendo desde há vários anos, com particular incidência neste de 2017, durante o qual já arderam, conforme noticiado, mais de 200 mil hectares de floresta ou similar.
Talvez o Governo ainda não tenha tido tempo (nem preocupação) em avaliar, em termos económicos e financeiros os prejuízos patrimoniais já causados.
E espera-se que haja a coragem de incluir no apuramento do PIB (Produto Interno Bruto) que será apresentado no final do ano, os valores negativos resultantes do revestimento arbóreo desaparecido, porque é riqueza que deixa de existir e que torna o país muito mais pobre.
Terrorismo florestal (ambiental lhe chamámos), porque ninguém percebe a motivação de tantas ignições, que não são espontâneas como todos nós que por aqui vivemos, bem percebemos. São atentados a quem aqui vive, e em particular contra os proprietários das parcelas que são consumidas. Estes estão completamente desarmados e incapacitados para fazer face a tanto malfeitor que espalha o pânico e o terror provocado pelas chamas incontroláveis, contra os quais os Bombeiros e todos aqueles que são chamados a combate-los, praticamente pouco ou nada podem fazer.
Foi uma verdadeira catástrofe, aquela que se abateu este ano sobre este pobre mundo rural. Pelo que o que se pede, melhor, o que se exige, é que a repulsa manifestada pelos episódios de Barcelona, Paris, Madrid, Nice ... leve também os governantes a implementar rapidamente as medidas de prevenção, se não para evitar todas as ignições, ao menos para tornar mais eficazes os meios de vigilância, com vigilantes da floresta no terreno, que se podem aplicar de imediato, e as de combate que só os sapadores florestais têm competência específica para o fazer.
Mãos à obra!

