Manuel Cordeiro Botelho
Conhecemos o Sr. Manuel Correio Botelho, por ocasião da nossa primeira visita (oficial) ao Brasil a convite de Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro do Rio de Janeiro, em 1981. Na recepção que nos foi oferecida (como Presidente da Câmara Municipal) no Centro Transmontano de S. Paulo, também estava um empresário vila-realense, que já se distinguia naquela comunidade portuguesa, no ramo da segurança, como sócio-gerente da PIRES, uma empresa que já nessa altura operava em quase todo o território brasileiro, com mais de um milhar de trabalhadores.
A empatia foi reciproca, nossa por nos apercebermos da dimensão humana e empresarial deste nosso conterrâneo e dele por ter a oportunidade de conhecer o «Prefeito» da sua cidade natal. Seriam muitas as vezes depois em que ao longo da nossa vida ativa partilhámos uma grande amizade e um grande respeito mútuo, pelo que do primeiro encontro resultou logo o convite para receber aquele empresário aqui em Portugal por temos percebido do seu desejo íntimo de ajudar, os cidadãos residentes nas terras onde havia nascido e que no seu imaginário (dos anos de 1930/40) eram muito carenciados.
O resto da história, é conhecida dos nossos leitores, porque ao longo de mais de trinta anos, este cidadão transmontano de Bujões (Abaças), passou a ser uma figura presente na nossa comunidade, não apenas quando (anualmente) aqui se deslocava, mas sobretudo porque a sua generosidade não tinha, nem limites de tempo, nem de geografia. Dificilmente encontraremos uma instituição, de caracter social, desportivo ou cultural que a ele se tenha dirigido e à qual ele não tivesse dado resposta: Bombeiros, Banda de Música, Centros Culturais e Desportivos, Associações de Beneficência: Misericórdias, Lares de Idosos, Creches, Jardins-de-infância e Obras Paroquiais.
A Câmara Municipal, na nossa Presidência viria a atribuir-lhe em finais dos anos oitenta, a Medalha de Ouro de Mérito Municipal, prémio bem pequeno para tão grande generosidade. O mesmo terão feito, os Bombeiros, as Bandas de Música e tantas outras Associações Humanitárias, que assim o quiseram recordar, mais do que recompensar.
Também, pela sua ação na Comunidade Trasmontana de S. Paulo, o Governo viria a agraciá-lo, com uma Comenda – daí o uso do titulo (justíssimo) de Comendador, pelo qual hoje a ele nos referimos quando o recordamos.
Pois bem. Chegou-nos a notícia do seu falecimento em S. Paulo, na semana passada, o que não sendo propriamente uma surpresa dado o seu debilitado estado de saúde de que se tinha conhecimento, é sempre motivo de tristeza. Mas, é também oportunidade para recordar, como estamos a fazer, um ser humano, a quem o criador na sua generosidade compensou com talentos absolutamente invulgares. Que ele soube multiplicar, redistribuindo-os, não apenas pelos seus familiares mas, por todos aqueles que dele se foram abeirando ao longo de tantos anos.
Vila Real, cidade, concelho, freguesia de Abaças, Bujões, perdem um Homem, que aqui nasceu, que se fez ao longe, mas que aqui será recordado para sempre.
Porque na nossa memória, o Comendador Manuel Correia Botelho, continuará vivo como no dia em que o abraçamos pela primeira vez em S. Paulo.
Descanse em paz!

