CGD: Não, Obrigado
Anuncia-se, que a Caixa Geral de Depósitos, vai passar a cobrar aos seus depositantes, uma taxa sobre as contas sediadas naquele Banco. Entre as quais, as contas dos pensionistas para onde o Estado transfere a respetiva pensão. Excepcionam-se os pensionistas com mais de 65 anos, cujo rendimento mensal seja inferior a uma determinada importância. Assim, à primeira vista, trata-se de uma violência que é cometida de ânimo leve, contra clientes que não foram ouvidos nem achados, sobre verbas que lhe são consignadas por uma outra entidade – o Estado, que nunca os auscultou sobre a forma como querem receber aquilo a que têm direito, após uma longa vida de trabalho e de descontos para a Caixa Geral de Aposentações. Façamos uma recordatória simples.
A Caixa Geral de Depósitos foi, desde que foi constituída, o mealheiro dos Funcionários Públicos, enquanto no ativo e na aposentação, como pensionistas. Este Banco Público foi sempre beneficiando do aforro destes clientes, que não angariou, mas que a Administração Pública entendeu, e bem, convenhamos, para ali dirigir os pagamentos. Por isso a Caixa, sempre foi considerada como um Banco com características exclusivas, ela própria financiadora dos Bancos Privados, quando estes foram autorizados a operar no nosso país – e não vai assim há tantos anos como isso.
É verdade, que nesta altura, muitos vencimentos e até pensões de aposentação já são depositados noutras instituições de crédito, porque a concorrência a isso conduziu. Mas a indiscutível maioria, sobretudo das pensões pagas pela Caixa Geral de Aposentações é para a CGD que são canalizadas.
Ou seja, a CGD é a beneficiária líquida desses vultosos montantes, que para ela são canalizados mensalmente, de que não teve qualquer encargo para os angariar. O que, reconheça-se já é um enorme beneficio.
Porque é assim, parece completamente despropositado, descabido e impensável a aplicação de uma taxa a estes rendimentos de ex-servidores públicos.
A ser verdade, trata-se de um imposto que a Administração da GCG vai aplicar a esses pensionistas, o que, para além de inconstitucional é um verdadeiro assalto a quem não tem nada a ver com os desmandos que foram praticados naquela instituição nos últimos anos e que terão levado (nós não conhecemos) à situação de quase insolvência de uma tão rica instituição do Estado.
O novo Presidente do Conselho de Administração desta instituição é tido como um competente gestor, com uma imagem de grande rigor, a que já nos habituamos. Porém, procurar agora tapar os buracos da Caixa – que outros fizeram, com um "assalto" aos depósitos que caem mensalmente nas contas dos pensionistas parece-nos de todo iníquo e indigno de ser praticado por pessoas de bem.
Se esta intenção for por diante, outro recurso não restará aos pensionistas se não exigirem à Administração Pública que recorra a outras instituições de crédito para fazerem a quitação das pensões, e aconselhar os pensionistas a que acautelem eventuais poupanças que tenham naquela instituição, levantando-as logo que possam.
Porque, como diz o nosso povo, quem faz um cesto, faz um cento. E, avisado é, não confiar em quem pratica tal malvadez.

