De Mal a Pior
1 – Neste estio de canícula dura, enquanto as “Cortes” (perdão a Assembleia da República) não encerram para férias, os incêndios que têm deflagrado com grande intensidade e violência e a legislação destinada ao mundo rural, que nesta 25ª hora os nossos governantes acabaram por aprovar, (à pressa) têm facilitado a vida à comunicação social tão ávida de matéria nova para entreter a clientela.
Não iremos por aí no nosso comentário. Embora não resistamos a lamentar o trágico incêndio que lavrou quase três dias a fio, aqui no nosso vizinho concelho de Alijó, que tão devastado ficou. Os prejuízos são enormíssimos e a reposição vegetal vai levar muitos anos a normalizar.
Sem curar de fazer qualquer juízo de valor sabor a eficácia dos meios usados para combater o incêndio, recordamos uma expressão de presidente da autarquia, o nosso amigo Eng. Carlos Magalhães, que angustiado e já desesperançado, lançou este lancinante apelo ao país: haja alguém que saiba combater fogos, que nos venha ajudar. Sirva isto de reflexão para os responsáveis da Proteção Civil repensarem a sua responsabilidade e os meios de que dispõem para bem cumprir a sua difícil missão.
2- Pela comunicação social (Jornal Público: 21 de Julho), acabamos de saber que a Unidade de Missão para a Valorização do Interior (UMVI), tem um novo coordenador o Eng. Agrónomo João Paulo Catarino. A nomeação foi anunciada pelo Primeiro-ministro na Sertã, onde se reuniu com autarcas dos sete concelhos abrangidos pelos projeto piloto concebidos para a região do Pinhal Interior.
Desejamos ao novo responsável, o mesmo que tivemos ocasião de dizer à anterior Coordenadora da UMVI, a Professora Doutora Helena Freitas da Universidade de Coimbra, a quando da sua apresentação em Lamego, em reunião a quem assistíamos: desejo-lhe muita sorte, mas não lhe invejo o lugar, nem a responsabilidade que detém sobre os seus ombros.
Conforme vaticinámos então, a anterior Coordenadora não chegou a aquecer o lugar, uma vez que ao fim de menos de dois anos abandona a função. Porquê? Porque, conforme sempre dissemos, se trata de uma missão impossível de realizar, no formato dos Governos (sejam ou não de geringonça) que têm assento em S. Bento, em que cada Ministro responde pelo seu sector (capelinha). Como é que pode, um Coordenador de Missão, que não tem sequer a categoria de Secretário de Estado, coordenar projetos e intervenções que se destinem à valorização do interior? Repetidamente vimos denunciando que, o desenvolvimento do mundo rural, porque é disso que se trata, só se pode fazer com uma visão integrada, a exemplo de que Camilo de Mendonça tentou para o Nordeste Transmontano nas décadas de 50 e 60 (século passado) ou que Valente de Oliveira levou a cabo com o Plano de Desenvolvimento Rural Integrado para Trás-os-Montes e Alto Douro (PDRITM) que tão bons frutos deu.
Ações desgarradas, como são estas do UMVI, podem ser úteis, mas não passam de «faits divers» sem consequências práticas para o desenvolvimento destes territórios de baixa densidade.
Assim não vamos lá! Diria mesmo: vamos de mal a pior.

