Por quem os Sinos Dobram
1 – Na semana passada deixou-nos, vítima de doença prolongada, o Dr. Aires Querubim, que foi Governador Civil do Distrito de Vila Real durante mais de doze anos. Foi uma figura marcante na vida política do distrito, tendo emergido logo a seguir ao golpe militar de 25 de Abril, como um paladino da democracia e sobretudo da social-democracia, causas a que se devotou de alma e coração. De palavra fácil e pensamento estruturado, o PPD e mais tarde o PPD/PSD devem muito da sua implantação à semente que ele foi lançando, nas infindáveis sessões de esclarecimento em que interveio, quer nos meios rurais, quer em ambientes mais citadinos.
Que descanse em paz, em Quiaios, onde desejou ser sepultado em campa rasa.
2 – A semana trouxe-nos também os trágicos incêndios do centro do país, que vitimaram 64 vidas humanas – horrorosamente calcinadas pelo fogo inclemente, que se abateu violentamente durante quase três dias, em vários Concelhos do Distrito de Leiria.
Todo o país chora a norte destas vítimas inocentes e vai-se interrogando como parece frágil o nosso país, quando se trata de combater este flagelo que nos assola, com tanta regularidade, no período estival.
As autoridades em geral, o país político e a comunicação social trazem ao debate um dedo acusador, através dos indícios que se vão conhecendo e em particular, das imagens chocantes que nos vão chegando via ecrã televisivo.
Pessoalmente não vamos especular nem acusar. Apenas lembrar, duas ou três ideias que sempre nos vêm à cabeça, quando isto acontece.
Em primeiro lugar, a floresta. Quem a planta, quem cuida dela, quem a vigia? Outrora, os Serviços Florestais, tinham uma estrutura orgânica de cima à base, que funcionava. Acabaram com este úteis Serviços, abandonaram-se as Casas Florestais. Referimos em especial as zonas rurais de Trás-os-Montes e Alto Douro, onde o Baldio é rei e senhor. E este está absolutamente ao abandono.
Anuncia-se nova legislação para regular a floresta e aproveitar todos os terrenos incultos, incluindo o emparcelamento e os Bancos de Terras. Ouvimos isto há 10, 15, 20 anos. Porém, sem uma voz de comando no terreno, dificilmente voltaremos a ver plantas, nos terrenos abandonados, porque simplesmente os seus proprietários há muito que partiram à procura de novos modos de vida.
Fala-se muito também na limpeza dos caminhos das Estradas Nacionais e até das bermas das autoestradas. Outrora, lá vamos nós recordar outros tempos, um simples cantoneiro, uma autoridade útil e respeitada, era responsável por limpar ou mandar limpar um determinado cantão. Será difícil, com o desemprego que ainda há e com a abundância de excedentários da função pública, recriar a figura do Cantoneiro de Estrada?
Respostas. É urgentíssimo que o país as conheça.

