Nem Tudo o que Reluz...
As estatísticas que têm vindo a público relativas à situação económico-financeira, têm sido de molde, a não deixar indiferente, quem acompanha o desempenho da governação do país. Se bem que, os números, como se sabe, não têm apenas uma leitura possível. E, perante o embandeirar em arco da generalidade dos «opinadores», lembramos um conselho (sábio ditado) do nosso mestre Prof. Adriano Moreira que ensinava: Quando as coisas vão bem, podendo ir melhor, é porque vão mal.
Na nossa maneira de ver, os números vindos a público relativos ao crescimento económico (PIB), ao desemprego e ao investimento são boas notícias. Analisar a quê e a quem se devem estes resultados, já são juízos opinativos, que nos escusamos de avaliar. O governo acha, naturalmente, que são as boas medidas da Geringonça, a oposição entende que é a trajetória natural da economia, após corrigidos (por imposição da TROIKA) os calamitosos desvios de rumo da era socrática (até 2010/2011).
Mas, há sempre um mas...Principalmente para quem nos empresta dinheiro, para a Comunidade Europeia que nos controla e impede de cometer excessos, sobretudo em matéria de despesa pública. É que, o que seria aconselhável é que, em vez de se estar a equacionar a forma de canalizar já (como pretende o PCP e o BE) para a economia, leia-se – administração pública, aparentes excedentes ou folgas orçamentais, seria aconselhável começar a diminuir a dívida pública, que é, como sabem todos aqueles que acompanham estas questões, um dos grandes receios ao financiamento de economia, por um sector bancário, absolutamente descapitalizado e a sair, apenas agora, da agonia em que esteve mergulhado em 2015 e 2016.
Neste sentido, de pouco vale que quem tem voz diariamente na Comunicação Social venha dizer e até a antecipar que o crescimento da economia poderá atingir no próximo ano uma meta de mas de 3 %. Os financiadores, conhecem melhor de que ninguém, a proveniência do crescimento e por isso é que não arriscam sequer a influenciar as notações que as Agências de Rating continuam a atribuir à nossa economia, que continua frágil, sem grande sustentabilidade e muito dependente dos seus parceiros, designadamente europeus.
Uma última nota, esta de caracter opinativo muito pessoal. Quanto nos é dado conhecer, os Fundos Comunitários, que estão nesta altura a entrar na nossa economia – e os responsáveis europeus sabem como nós – não estarão a ser aplicados, em projetos geradores de riqueza, mas antes em infraestruturas, cuja rendibilidade a curto prazo é nula. E pior do que isso, até em despesas correntes, de tipo salarial como são os apoios à ciência em bolsas, ou o subsídio de desemprego camuflado de ações de formação (estas são porem questões que compete a Assembleia da República fiscalizar.
Tantas vezes opinámos já que nos pareceria imperioso, injetar financiamento no sector primário da economia: agricultura, silvicultura e pecuária, única forma de fixar e devolver população ao mundo rural. E que nos leva a concluir como Adriano Moreira que quando as coisas vão bem, podendo ir melhor, é porque vão mal.
E isso, não é bom para o nosso futuro.

