Inqueitações
1 – O ALTAR DO MUNDO
A semana que passou foi dominada pelo que se iria passar em Fátima a 12 e 13 de maio. Tratava-se de uma data marcante – 100 anos de um grande acontecimento, a visita do Papa Francisco e o que a ela andou associado. A comunicação social fez um trabalho notável, em particular a RTP1 que fomos acompanhando mais, muita imprensa e publicações literárias, com algum aproveitamento publicitário – naturalmente mas, que se tornou útil para entender melhor os acontecimentos de 1917 e em particular para se ter uma ideia do que Fátima representa hoje no mundo.
Quem pode ver, as manifestações de religiosidade popular relativas a este culto mariano, seja no Brasil, na Argentina, na Rússia, na Polónia, em África, na Indonésia, na Malásia, na China, no Japão, na Coreia, não deixa de constatar que o nosso país se acrescenta muito com as comunidades portugueses que temos espalhados um pouco pelos cinco continentes. Mas Fátima ultrapassa-as em muito, porque a religiosidade popular que lhe está inerente, não conhece fronteiras linguísticas, sendo uma presença assinalável nas mais variadas partes do mundo. Este é de facto um serviço que não pode deixar de ser reconhecido aos Pastorinhos, a partir de agora incluídos no catálogo dos Santos que a Igreja Católica elevou ao Altar.
Havia uma certa curiosidade em conhecer a mensagem que o Papa Francisco iria dirigir ao mundo (político), por se saber que os milhões de telespectadores que acompanhavam esta visita seriam naturalmente ouvintes atentes e interessados. Pareceu-nos, e é esta apenas a nossa opinião pessoal, que o Santo Padre seguiu o ensinamento do Evangelho – deixando a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.
Não fugiu ao tema da responsabilidade das igrejas e da religião no mundo. Perante os enormes problemas – digamos desafios, que a humanidade tem pela frente, pediu a todos os cidadãos do mundo que sejam sentinelas da madrugada, para estarem vigilantes e abertas, ao dialogo, à fraternidade e à partilha, sobretudo de ideias.
Inquietou as consciências de todos e de cada um de nós. Foi bom.
2 – VENEZUELA
O que se noticia sobre o que se está a passar neste país da América Latina deve inquietar naturalmente todos os portugueses. É que vivem e trabalham naquele país, mais de um milhão de compatriotas nossos (maioritariamente oriundos da Região Autónoma da Madeira) que estarão na iminência de ter de abandonar os seus bens patrimoniais e regressarem ás suas origens. Percebemos que os nossos governantes (ouvimos o Sr. Ministro dos Negócios Estrangeiros e o responsável ministerial pelas Comunidades Portuguesas) estão atentos e previnem já formas de evacuação rápida destes nossos concidadãos. Era o que mais faltava que não o fizessem.
Porém, antes disso, parece-nos que dadas as boas relações que, pelo menos um dos partidos que apoia o governo – o PCP tem com o Chefe político da Venezuela, que tão desastradamente se conduz, que se deveria entabular com ele, qualquer tipo de diálogo – no sentido de acautelar a vida e os bens de tantos inocentes que estão a ser apanhados no meio de uma querela que não lhes diz respeito. A ordem internacional isso acautela.
Pelo que não nos parece despicienda esta nossa sugestão. Que é uma obrigação de qualquer concidadão que se preze, ideologia política aparte.

