Desafios
Fontainhas Fernandes foi reeleito Reitor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro ─ UTAD, para o próximo quadriénio, tendo a Sessão Solene da tomada de posse, realizada no passado dia 5 de Maio constituído um momento alto daquela Academia, conforme pudemos testemunhar, ao ver a Aula Magna repleta de personalidades de toda a região, numa clara manifestação de apreço pela obra que vem sendo realizada e pelo inquestionável lugar que a UTAD representa, não apenas em termos académicos mas também pela relevante papel que lhe cabe no desenvolvimento regional.
A este propósito não podemos deixar de sublinhar alguns dos desafios que o Magnifico Reitor se colocou a si próprio e à instituição que dirige. Num território desafiante como ele se costuma referir a Trás-os-Montes e Alto Douro, um território de baixa densidade, como já entrou na gíria politica e governamental, a Universidade pretende continuar a ser um motor do desenvolvimento socioeconómico deste espaço geográfico, que já não se confina ao Nordeste do país, mas se extravasa a todo o Norte, aí incluindo o Minho e as Beiras Alta e Litoral. Território que continuam a perder população, conforme as estatísticas comprovam – criando indiretamente problemas à sustentabilidade das próprias Universidades que, para continuar a crescer tem que ser capaz de reinventar na formatação de projetos viáveis para o fomento da economia regional.
Neste sentido, a UTAD foi desenhada para ali se desenvolver o ensino e a investigação, em áreas tão tradicionais como as Ciências Agrárias, a Zootécnica, a Veterinária, os Cursos Florestais, as Engenharias mais variadas, ou os novos saberes do Ambiente, das Ciências Sociais, da Arquitetura Paisagística e naturalmente, da Economia e Gestão.
Desafiando as autarquias, hoje agrupadas nas Comunidades Intermunicipais do Douro, do Alto Tâmega, ou do Alto Trás-os-Montes, para que procurem na UTAD o apoio para os projetos de desenvolvimento que entendam ser prioritários.
Neste sentido, permitimo-nos lembrar aos autarcas que a desertificação (despovoamento) dos seus territórios, não apenas humana, mas sobretudo do sector primário: a agricultura, a pecuária e a silvicultura têm de ser dinamizadas, porque há muitos apoios comunitários à disposição, só faltando, quanto nos é dado perceber, projetos estruturantes e de dimensão supramunicipal, carências que a Universidade pode suprir, conforme intuímos dos desafios que o Magnifico Reitor disponibilizou, quando se lhes dirigiu. Outrora chamava-se Serviço de Extensão Rural. Com esta ou outra designação, o importante é que se dê este passo, para que os estudantes que aqui se formam tenham a oportunidade de aplicar nesta região, ou nas suas terras de origem, os conhecimentos teóricos que receberam de tão prestigiada Academia.
O Magnifico Reitor, cuja clarividência é por demais conhecida, encontrará com certeza colaboradores para o ajudar a implementar uma estratégia de desenvolvimento para a região que dá o nome à Universidade.
E só assim serão, como refere Fontainhas Fernandes, territórios verdadeiramente desafiantes.

