Linha do Douro
CARTA ABERTA AOS EXCELENTISSIMOS: Presidente da Câmara Municipal do Porto; Presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte; Presidente da Associação Nacional do Porto; Presidente da Comunidade Intermunicipal do Douro
Muita gente, que outrora utilizava com frequência o sistema ferroviário do Douro para se deslocar dentro da região e para fora dela, continua a interrogar-se porque é que a Linha e os respetivos ramais continuam no estado de degradação a que chegaram parecendo não haver a mínima preocupação em acompanhar o que se faz no resto da Europa, a começar já na vizinha Espanha, em que o transporte ferroviário, quer para mercadorias, quer para passageiros continua a ser um meio fundamental de mobilidade.
Razões haverá muitas, mas não vale a pena estar agora olhar para os 40 ou 50 anos de imobilismo e de desatenção dos nossos governantes. Encare-se o futuro, porque esta região norte de Portugal, de que o rio Douro é a matriz, carece que se olhe para a ferrovia, como um dos principais impulsionadores do desencravamento e do seu desenvolvimento.
Sempre assim pensámos. Chega-nos agora ao conhecimento, através do Jornal Público online de 17 do corrente, um Estudo de Desenvolvimento da Linha do Douro executado sob a égide das Infraestruturas de Portugal (I.P.), em que se apresenta este eixo ferroviário como o itinerário lógico, de integração funcional da Área Metropolitana do Porto e de toda a Região Norte, com a restante Península Ibérica e Europa além-Pirenéus, validando-o como a melhor opção, nas dimensões técnico-operacionais, económicas e estratégicas. 'A linha do Douro é-lhe atribuído um papel catalisador do desenvolvimento regional, do Atlântico a Salamanca e a Madrid, com passagem por uma Região Turística Património Mundial, (...) atuando em sinergia com a navegação fluvial. O estudo recorda também a viabilidade do enlace com a ALVIA (Alta Velocidade Espanhola) de forma a aceder a Madrid, assim se estabelecendo a ligação do Porto de Leixões até Madrid.
São equacionados naturalmente os custos da reabilitação, incluindo o restabelecimento parcial da Linha do Sabor (de índole industrial e mineiro, apontando para que o montante total a investir
ascenderia a 473 MEUR).
Verba que, nos parecia fora do alcance das entidades portuguesas. Porém, e esta é a grande novidade, é que a administração central equacionou a construção de uma nova linha entre Aveiro e Mangualde, projeto que apresentou em Bruxelas, e relativamente ao qual esta declinou atribuir comparticipação no âmbito do Fundo ConnectingEuropeFacility (CEF), por inexistência de retorno socioeconómico.
Pois bem, dando isto como adquirido, pede-se aos Exmos. Presidente da Câmara Municipal do Porto, cidade cujos comerciantes na 1ª metade do século XIX financiaram a construção deste eixo ferroviário de ligação de Leixões a Salamanca, e ao Presidente da CCDRN, como representante da Região Norte, para diligenciar incluir na Agenda da Cimeira dos Países Ibéricos, que terá lugar proximamente em Vila Real, este tema da mobilidade transfronteiriça, com base no estudo das IP atrás citada. Porque em três décadas de integração europeia, Espanha e Portugal viram ser-lhes atribuídos fundos comunitários consagrados a regiões fronteiriças e de convergência, sem que nunca tenha sido contemplada a reabertura ao tráfego internacional a Linha do Douro.
As entidades a quem endereçamos esta carta aberta terão o seu lado neste empenho, toda região, representada pelas mais diversificadas instituições – autárquicas e da sociedade civil, que nos dispensamos de enumerar. Na nossa qualidade de Presidente da Liga dos Amigos do Douro Património Mundial aqui deixamos o nosso veemente apelo.
Porque é de Património indispensável ao nosso desenvolvimento que se trata.
Em nome da sociedade Civil, o nosso muito obrigado.

