O Mundo está Perigoso
O físico Albert Einstein (1879-1955) escreveu: O mundo é um lugar perigoso para viver, não por causa daqueles que fazem o mal, mas sim por causa daqueles que observam e deixam que o mal aconteça.
Esta citação coincide com o pensamento que temos desde há muito, sobre aquilo que a comunicação social nos trás diariamente até nossas casas: atentados, jiadismo, naufrágios permanentes no Mediterrâneo, as hordas de emigração em direção à Europadesde o norte e sul de África e Médio Oriente. Aquilo que se passa perto de nós inquieta-nos mais. As guerras civis e os massacras que acontecem diariamente nos países subsaarianose árabes porque são tão frequentes, quase já nem damos por elas. E no entanto, as sociedades ocidentais em que hoje vivemos, talvez devessem fazer um mea-culpa, porque muito do que acontece agora, é o resultado lógico da irresponsabilidade com que os governantes de há menos de cem anos agiram, quando governavam os povos desse mundo que ainda não se encontraram para viverem em sociedade, organizadamente e como nações soberanas.
É claramente uma das consequências da retirada precipitada das potências ocupantes, dos territórios que colonizaram, desde que a partir de 1 500 se abriram novos mundos ao mundo. E, se bem que a história da humanidade se tenha feito da sobreposição de culturas e de povos, uns pelos outros, desde a civilização greco-romana. A chegada dos bárbaros que vindos do norte da Europa acabaram destruindo o império romano, a presença árabe em todo o sul, em particular na península ibérica, originaram o caldo de culturas que fez o avanço civilizacional.
A partir do sec. XV a Europa instalou-se de armas e bagagens nos continentes africano e asiático. Ao retirarem-se no final do sec. XIX e primeira metade do século XX, e da forma precipitada como o fizeram, o que é que deixaram? Sociedade organizadas? Não. Territórios economicamente desenvolvidos? Não. O que ficou foi quase o caos, que passado quase um século ainda se mantém, como se pode observar na generalidade do continente africano, sobretudo subsaariano, no médio oriente e em grande parte do continente asiático, onde não existem ainda verdadeiras nações.
O que se deveria exigir agora aos países que tiveram responsabilidades administrativas nesses territórios é que, para além de abrirem as suas fronteiras para acolher os cidadãos que fogem do caos, conforme recomenda a ONU, se disponibilizassem também para ajudar a criar localmente o poder político organizado e naturalmente o fomento do desenvolvimento económico.
Só assim, como recomendava Einstein, poderemos impedir que o mal continue a acontecer.

