Figuras
1 – Vila Real despediu-se na semana passada de uma figura nada e criada no bairro dos Ferreiros que soube passar pela vida, numa missão de serviço à comunidade, que nos apraz registar. Helena Areias, de uma humilde família, tal como o seu irmão José, inscreveram o seu nome como figuras da nossa cidade, pela forma como souberam dar-se aos outros.
Helena Areias, como Presidente da Junta de Freguesia de S. Pedro, durante vários mandatos, foi de uma generosidade extrema, dando-se totalmente aos sues fregueses que nela viam alguém com capacidade para os ajudar, em termos individuais, e em termos de realização de benfeitorias, para o espaço geográfico da sua autarquia.
Assim como o seu irmão, José Areias, um condutor de jovens, a quem se dedicou totalmente, incentivando-os através do desporto. Muitas das modalidades – o andebol, o atletismo, o futebol juvenil, tiveram em Zé Areias, um incentivador, se não mesmo um iniciador. Ao despedirmo-nos da sua irmã, lembrámos igualmente a sua postura na sociedade, uma vez que ambos, de maneira diferente, deixarem um legado na nossa memória.
2 – O regime de Fulgência Batista em Cuba, derrotado por Fidel de Castro nos anos cinquenta, não se recomendava. Estamos de acordo. Fidel, um revolucionário, intentou implantar naquela ilha pelas armas, um regime soviético, que era, ao tempo, o Sol da Terra, como era definido por Álvaro Cunhal, também ele um visionário que almejou fazer o mesmo no nosso país, com a tolerância do MFA.
Comprovadamente 50 anos depois, o que Fidel logrou fazer foi destruir uma sociedade que vivia com os padrões americanos, em que haveria injustiças que um capitalismo desregrado sempre consente mas que não se diferençava enormemente da sociedade norte-americana do seu tempo.
E o que é que obteve Cuba em troca? Um país desestruturado, que impeliu centenas de milhares de cubanos para a emigração para o país que ele mais odiava, os E.U.A, e uma sociedade sem alma, sem capacidade de iniciativa, completamente dependente da solidariedade internacional. As desculpas – e era disso que se tratava, de que o regime socialista não vingava, por boicote sistemático dos governos americanos, são um fraco consolo, para um ideal que para se implantar, sacrificou centenas de milhares de vidas, inutilmente, como agora se pode comprovar.
Fidel morreu no dia em que escrevemos. A sua memória, é uma referência incontornável na história do século XX.
Mas a história, não o recordará, como um vencedor. Quando muito, como um lutador por ideais bons para os seus compatriotas.
Porém, como diz o nosso povo, de boas intenções está o inferno cheio.
Se é que o inferno existe!